{"id":11645,"date":"2013-08-26T18:44:22","date_gmt":"2013-08-26T18:44:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.eduerj.uerj.br\/engine\/?p=11645"},"modified":"2016-07-29T15:48:31","modified_gmt":"2016-07-29T18:48:31","slug":"sobre-o-livro-mulheres-ao-espelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/sobre-o-livro-mulheres-ao-espelho\/","title":{"rendered":"Sobre o livro &#8220;Mulheres ao espelho&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><iframe title=\"Sobre o livro &quot;Mulheres ao espelho&quot;\" width=\"1600\" height=\"900\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GPVEPU0QBJ4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><small>Entrevista: Eur\u00eddice Figueiredo.<\/small><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura da UFF, Eur\u00eddice Figueiredo, est\u00e1 lan\u00e7ando, pela EdUERJ, o livro <em>Mulheres ao espelho: autobiografia, fic\u00e7\u00e3o e autofic\u00e7\u00e3o<\/em>.<br \/>\nEm entrevista ao nosso <em>blog<\/em>, ela contou mais sobre esse lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pro<img decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-11646 alignleft\" src=\"http:\/\/www.eduerj.uerj.br\/engine\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheresaoespelhoarte-1-210x300.jpg\" alt=\"mulheresaoespelhoarte-1\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheresaoespelhoarte-1-210x300.jpg 210w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheresaoespelhoarte-1-500x714.jpg 500w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheresaoespelhoarte-1-100x143.jpg 100w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheresaoespelhoarte-1-184x263.jpg 184w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheresaoespelhoarte-1-717x1024.jpg 717w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheresaoespelhoarte-1.jpg 1120w\" sizes=\"(max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/>fessora, como foi o trabalho de pesquisa que culminou nessa publica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Digo que a ideia do livro nasceu de minha leitura de romances de algumas escritoras da Fran\u00e7a e do Quebec porque me dei conta que havia uma grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao que estava sendo produzido no Brasil; elas exploram a sexualidade feminina de maneira bastante violenta e negativa, mostrando o lado dos problemas e nem tanto o do prazer. As diferen\u00e7as que se notam devem-se a diferen\u00e7as mais gerais nas tradi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Sobre a escrita da sexualidade: no Brasil tudo se passa de maneira mais velada, mais discreta e acho que isso n\u00e3o vai mudar t\u00e3o r\u00e1pido porque as mulheres aqui n\u00e3o querem se expor tanto. Nos livros em l\u00edngua francesa que analisei \u2013 todos eles de qualidade liter\u00e1ria &#8211; h\u00e1 uma escritora que rememora sua vida de garota de programa (eufemismo para prostituta), uma outra que conta que teve rela\u00e7\u00e3o incestuosa com seu pai, uma que narra as vicissitudes de sua vida de drogada. N\u00e3o temos isso no Brasil.<br \/>\n<strong>Por que voc\u00ea escolheu partir\u00a0da literatura francesa para tra\u00e7ar um paralelo com\u00a0a brasileira, em termos de tematiza\u00e7\u00e3o da sexualidade? Voc\u00ea acredita que\u00a0na Fran\u00e7a exista alguma\u00a0especificidade neste aspecto?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A especificidade diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de textos autobiogr\u00e1ficos (di\u00e1rios, autobiografias, mem\u00f3rias): no Brasil a pr\u00e1tica da escrita de si \u00e9 muito mais rara do que na Fran\u00e7a. Basta lembrar que o g\u00eanero confessional come\u00e7ou na Fran\u00e7a com Jean-Jacques Rousseau no s\u00e9culo XVIII; os di\u00e1rios de escritores e artistas s\u00e3o publicados desde o s\u00e9culo XIX; h\u00e1 tamb\u00e9m uma larga produ\u00e7\u00e3o de relatos de inf\u00e2ncia, autobiografias e mem\u00f3rias. O mesmo n\u00e3o ocorre no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No livro, voc\u00ea fala muito de como as autoras francesas se expressam por meio da autofic\u00e7\u00e3o. Fale um pouco deste g\u00eanero, de suas diferen\u00e7as para a autobiografia, e dos representantes brasileiros&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A autofic\u00e7\u00e3o \u00e9 um romance que se inspira nos fatos efetivamente vividos pelo autor. A palavra foi cunhada pelo professor e escritor franc\u00eas Serge Doubrovsky no seu livro Fils (1977). A autofic\u00e7\u00e3o seria um romance autobiogr\u00e1fico p\u00f3s-moderno, com formatos inovadores: s\u00e3o narrativas descentralizadas, fragmentadas, com sujeitos inst\u00e1veis que dizem \u201ceu\u201d sem que se saiba exatamente a qual inst\u00e2ncia enunciativa ele corresponde. Por outro lado, Doubrovsky lembra que, quando se escreve autobiografia, tenta-se contar toda sua hist\u00f3ria, desde as origens. A autobiografia estaria reservada aos grandes homens que, ao cabo de uma exist\u00eancia cheia de realiza\u00e7\u00f5es &#8211; de car\u00e1ter liter\u00e1rio, cultural, pol\u00edtico, militar \u2013 se debru\u00e7am sobre seu passado para contar sua vida.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autofic\u00e7\u00e3o no Brasil, no sentido mais amplo que o termo est\u00e1 sendo usado agora, ou seja, sem as tecnicalidades expostas por alguns te\u00f3ricos franceses como Doubrovsky, eu citaria, como exemplo, grande parte da obra de Silviano Santiago, de Jo\u00e3o Gilberto Noll, o romance \u201cA chave de casa\u201d de Tatiana S. Levy e \u201cO filho eterno\u201d de Crist\u00f3v\u00e3o Tezza. O uso da palavra no Brasil \u00e9 muito recente, mas j\u00e1 se faz autofic\u00e7\u00e3o h\u00e1 bastante tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por outro lado, ao optar por redigir uma obra de fic\u00e7\u00e3o, o autor pode expressar seu pensamento sem\u00a0ser diretamente relacionado \u00a0\u00e0s emo\u00e7\u00f5es dos personagens. Voc\u00ea acredita que hoje a fic\u00e7\u00e3o seja um g\u00eanero mais confort\u00e1vel paras jovens escritoras ou a autora brasileira hoje n\u00e3o est\u00e1 buscando uma zona de conforto?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acho (como Andr\u00e9 Gide) que na fic\u00e7\u00e3o o escritor pode se sentir mais \u00e0 vontade para falar de si mesmo. No entanto hoje em dia\u00a0o romance est\u00e1 vampirizando as formas autobiogr\u00e1ficas porque o sujeito est\u00e1 muito em evid\u00eancia, o escritor est\u00e1 muito exposto \u00e0s diferente<img decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-11647 alignright\" src=\"http:\/\/www.eduerj.uerj.br\/engine\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/euridice-300x169.jpg\" alt=\"euridice\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/euridice-300x169.jpg 300w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/euridice-500x281.jpg 500w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/euridice-1200x675.jpg 1200w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/euridice-184x104.jpg 184w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/euridice-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/euridice.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>s m\u00eddias e ele acaba usando pequenos elementos autobiogr\u00e1ficos (os biografemas de Roland Barthes) nos romances. Antes de ser puramente um fen\u00f4meno liter\u00e1rio, trata-se de um fen\u00f4meno social e cultural. O romance do final do s\u00e9culo XX e do in\u00edcio do XXI \u00e9 produto de seu tempo, o tempo da extimidade [nota do <em>blog<\/em>: este conceito \u00e9 citado no livro de Eur\u00eddice como contraponto da palavra intimidade].<\/p>\n<p>Hoje temos alguns best-sellers como <em>Cinquenta tons de cinza<\/em> (e todos seus avatares) escritos por mulheres que criaram personagens femininas submissas, que gostam de ser dominadas. Apesar da sexualidade sado-mas\u00f4, s\u00e3o hero\u00ednas rom\u00e2nticas como tantas outras. Contudo, existem escritoras muito mais feministas, como as que eu escolhi analisar para o meu livro. Elas tendem a salientar os problemas enfrentados pelas mulheres, inclusive os que passam pela sexualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que autora brasileira voc\u00ea destaca atualmente como uma representante de uma \u00a0literatura moderna autenticamente feminina?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Escritoras brasileiras interessantes: Tatiana Salem Levy, Carola Saavedra, Adriana Lisboa, Ana Maria Gon\u00e7alves. S\u00e3o romancistas que j\u00e1 t\u00eam uma produ\u00e7\u00e3o significativa, com personagens femininas fortes e provocantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para terminar, a quem voc\u00ea indica a leitura do seu <em>Mulheres ao espelho<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meu livro interessa sobretudo aos estudiosos de literatura, mas tamb\u00e9m a pessoas de outras \u00e1reas das Ci\u00eancias Humanas que querem saber mais sobre as chamadas \u201cescritas de si\u201d e sobre as representa\u00e7\u00f5es das mulheres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Professora Eur\u00eddice Figueiredo, agrade\u00e7o a sua entrevista para o <em>blog<\/em> da EdUERJ.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Eur\u00eddice Figueiredo. &nbsp; A professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudos de Literatura da UFF, Eur\u00eddice Figueiredo, est\u00e1 lan\u00e7ando, pela EdUERJ, o livro Mulheres ao espelho: autobiografia, fic\u00e7\u00e3o e autofic\u00e7\u00e3o. Em entrevista ao nosso blog, ela contou mais sobre esse lan\u00e7amento. &nbsp; Professora, como foi o trabalho de pesquisa que culminou nessa publica\u00e7\u00e3o? &nbsp; Digo que a ideia do livro nasceu de minha leitura de romances de algumas escritoras da Fran\u00e7a e do Quebec porque me dei conta que havia uma grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao que estava sendo produzido no Brasil; elas exploram a sexualidade feminina de maneira\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"video","meta":{"_acf_changed":false,"editor_plus_post_options":"{}","editor_plus_copied_stylings":"{}","footnotes":""},"categories":[202],"tags":[514,515,495,438,517,516,513,518,293,520,519],"class_list":["post-11645","post","type-post","status-publish","format-video","hentry","category-blog","tag-autobiografia","tag-autoficcao","tag-ciencias-humanas","tag-entrevista","tag-euridice-figueiredo","tag-ficcao","tag-mulheres-ao-espelho","tag-programa-de-pos-graduacao-em-estudos-de-literatura","tag-tv-eduerj","tag-uff","tag-universidade-federal-fluminense","post_format-post-format-video"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":5}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11645\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}