{"id":14694,"date":"2017-11-27T13:51:57","date_gmt":"2017-11-27T16:51:57","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/brine\/?p=14694"},"modified":"2017-11-27T13:52:46","modified_gmt":"2017-11-27T16:52:46","slug":"eduerj-conquista-o-premio-jabuti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/eduerj-conquista-o-premio-jabuti\/","title":{"rendered":"EdUERJ recebe o Pr\u00eamio Jabuti"},"content":{"rendered":"<p>Na quinta-feira, dia 30 de novembro, a Editora da UERJ recebe o Pr\u00eamio Jabuti pela publica\u00e7\u00e3o de \u201cMachado de Assis e o c\u00e2none ocidental\u201d, de S\u00f4nia Netto Salom\u00e3o.\u00a0O livro conquistou o primeiro lugar na categoria Teoria\/Cr\u00edtica liter\u00e1ria, Dicion\u00e1rio e Gram\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A primeira coloca\u00e7\u00e3o configurou uma conquista in\u00e9dita para a Editora, visto que o Jabuti anterior fora\u00a0conquistado, em 2014, com o terceiro lugar. Na \u00e9poca, o livro laureado foi\u00a0<em>Ci\u00eancia do futuro e futuro da ci\u00eancia: redes e pol\u00edticas de nanoci\u00eancia e nanotecnologia no Brasil<\/em>, de Jorge Luiz dos Santos Junior, na categoria Ci\u00eancias exatas, tecnologia e inform\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o editor executivo da EdUERJ, professor Glaucio Marafon,\u00a0<u>o trof\u00e9u<\/u>\u00a0atual chega em boa hora:<br \/>\n&#8211; Um pr\u00eamio como o Jabuti ajuda a trazer visibilidade para o trabalho que a Editora da UERJ vem desempenhando, mesmo em um momento de asfixia financeira. \u00c9 tamb\u00e9m sinal de que a EdUERJ est\u00e1 cumprindo sua miss\u00e3o de estar em sintonia com o que h\u00e1 de relevante na \u00e1rea acad\u00eamica.<em>\u00a0\u00a0<\/em><br \/>\nSegundo a autora, professor Sonia Netto Salom\u00e3o, que leciona na Universidade de Roma 1, a obra tamb\u00e9m \u00e9 alvo de\u00a0interesse fora do Brasil, fato percebido em suas palestras<em>:<\/em><\/p>\n<p>&#8211; O livro foi muito bem recebido em espa\u00e7os de prest\u00edgio no exterior, como a Universidade de Roma 1, em que trabalho, a Funda\u00e7\u00e3o Saramago, em Lisboa, a Fundacion Hispano-brasileira, em Madri e em Harvard University, em Cambridge. Eu mesma me admirei do interesse que as pessoas\u00a0come\u00e7am a ter no exterior, finalmente, por Machado de Assis. Ali\u00e1s, um autor que merece, sem nenhum favor, estar ao lado de grandes nomes como Stendhal, Flaubert, Gogol, e tamb\u00e9m Borges ou Calvino.<br \/>\nA cerim\u00f4nia\u00a0do 59\u00ba Pr\u00eamio Jabuti\u00a0entregar\u00e1\u00a0estatuetas para vencedores\u00a0de 29 categorias, em evento no\u00a0Audit\u00f3rio do Ibirapuera (Av. Pedro Alvares Cabral, s\/n \u2013 Parque Ibirapuera \u2013 S\u00e3o Paulo \/ SP), \u00e0s 19h30.<\/p>\n<p>Abaixo, a entrevista, na \u00edntegra, com a autora Sonia Netto Salom\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Machado de Assis \u00e9 tema de seu livro, e tamb\u00e9m do que foi escrito por Silviano Santigo, vencedor na categoria melhor romance. O que voc\u00ea considera que faz Machado de Assis manter tamanho fasc\u00ednio, atravessando s\u00e9culos e fronteiras<\/strong><\/p>\n<p>O simples fato de ser um cl\u00e1ssico. Os cl\u00e1ssicos, como bem resumiu Italo Calvino, s\u00e3o livros que chegam at\u00e9 n\u00f3s com as marcas de leitura que precederam a nossa e que nos d\u00e3o a imediata sensa\u00e7\u00e3o de estar relendo algo conhecido. Tamb\u00e9m deixam atr\u00e1s de si tra\u00e7os que marcar\u00e3o as culturas que atravessaram.<\/p>\n<p>Para mim o fasc\u00ednio de Machado est\u00e1 nas charadas disfar\u00e7adas que prop\u00f5e, no seu di\u00e1logo com o c\u00e2none, de forma sempre aberta, l\u00fadica e jamais subalterna. E o fato de n\u00e3o ter desistido jamais de superar a si mesmo. Na ep\u00edgrafe do meu estudo est\u00e1 um verso de Drummond que resume este viver para a literatura. Al\u00e9m disso Machado forjou um c\u00e2none pr\u00f3prio a partir do profundo conhecimento que tinha da cultura brasileira e da cultura cl\u00e1ssica, antiga e moderna. \u00c9 bom lembrar que ele dominava t\u00e9cnicas modernas da narrativa, o que faz dele um autor contempor\u00e2neo a n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Como surgiu a ideia de fazer a pesquisa que culminou na publica\u00e7\u00e3o de &#8220;Machado de Assis e o c\u00e2none ocidental&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>Este livro foi se construindo aos poucos em torno de uma ideia central que est\u00e1 no t\u00edtulo do primeiro cap\u00edtulo: \u201cA um cr\u00edtico\u201d. Aquele am\u00e1lgama de cita\u00e7\u00f5es,de rasuras, de vai e vens que se concentram nas\u00a0<em>Mem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>, mas que se disseminam por toda a obra, intrigavam-me h\u00e1 muito tempo. Fui puxando os fios de um hipertexto que me levaram \u00e0s leituras de Machado e ao modo como ele as selecionava. Imaginei o seu espanto com o\u00a0<em>Viagem \u00e0 roda do meu quarto<\/em>, de Xavier de Maistre, e como comparou os diversos livros de viagens que se escreveram no seu tempo e que faziam parte da sua biblioteca. Como comparou Garrett e De Maistre, por exemplo. Li as\u00a0<em>Promenades dans Rome<\/em>\u00a0(1829), de Stendhal, na mesma edi\u00e7\u00e3o que leu Machado, e fui descobrindo o seu m\u00e9todo de trabalho. A \u201ctinta da melancolia\u201d ele foi buscar em Maquiavel. Mas s\u00f3 quando comprei\u00a0<em>L\u2019Encre de la m\u00e9lancolie,\u00a0<\/em>livro de um de meus cr\u00edticos preferidos, Starobinski, \u00e9 que compreendi a pot\u00eancia daquela imagem, daquela frase, das rela\u00e7\u00f5es que me levaram a Hip\u00f3crates e a Dem\u00f3crito e da\u00ed ao surpreendente \u201cDo riso e da loucura\u201d, do s\u00e9culo I no qual Machado bebeu para escrever o n\u00e3o menos surpreendente \u201cO Alienista\u201d, adaptado \u00e0 Itagua\u00ed. O resto est\u00e1 nos 3 cap\u00edtulos que se entrecruzam\u00a0 (Machado l\u00fadico; Machado e a It\u00e1lia). Destacaria, apenas, no terceiro cap\u00edtulo, a reconstru\u00e7\u00e3o do contexto italiano (que \u00e9 parte do c\u00e2none machadiano e brasileiro, como um todo, no per\u00edodo, em que aliei a minha paix\u00e3o pela pesquisa hist\u00f3rica \u00e0 busca filol\u00f3gica de palavras recorrentes. Aqui entram Dante, as tradu\u00e7\u00f5es italianas de Shakespeare e a \u00f3pera italiana.<\/p>\n<p><strong>Por fim, poderia falar sobre a import\u00e2ncia para voc\u00ea, como autora, de receber este pr\u00eamio?<\/strong><\/p>\n<p>Para mim o Jabuti \u00e9 um pr\u00eamio s\u00e9rio, sendo este o valor imprescind\u00edvel para um autor. Naturalmente, para uma brasileira que trabalha no exterior o reconhecimento de um pr\u00eamio nacional tem um sabor especial. Uma esp\u00e9cie de \u201cmiss\u00e3o cumprida\u201d ; ou pelo menos de parte dela, como nos ensinou o mestre no seu incans\u00e1vel percurso; porque h\u00e1 ainda muito a dizer. O Pr\u00eamio Jabuti confirma este roteiro.<\/p>\n<p>O livro foi muito bem recebido em espa\u00e7os de prest\u00edgio no exterior, como a Universidade de Roma 1, em que trabalho, a Funda\u00e7\u00e3o Saramago, em Lisboa, a Fundacion Hispano-brasileira, em Madri e em Harvard University, em Cambridge. Eu mesma me admirei do interesse que as pessoas\u00a0come\u00e7am a ter no exterior, finalmente, por Machado de Assis. Ali\u00e1s, um autor que merece, sem nenhum favor, estar ao lado de grandes nomes como Stendhal, Flaubert, Gogol, e tamb\u00e9m Borges ou Calvino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div tabindex=\"-1\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na quinta-feira, dia 30 de novembro, a Editora da UERJ recebe o Pr\u00eamio Jabuti pela publica\u00e7\u00e3o de \u201cMachado de Assis e o c\u00e2none ocidental\u201d, de S\u00f4nia Netto Salom\u00e3o.\u00a0O livro conquistou o primeiro lugar na categoria Teoria\/Cr\u00edtica liter\u00e1ria, Dicion\u00e1rio e Gram\u00e1ticas. A primeira coloca\u00e7\u00e3o configurou uma conquista in\u00e9dita para a Editora, visto que o Jabuti anterior fora\u00a0conquistado, em 2014, com o terceiro lugar. Na \u00e9poca, o livro laureado foi\u00a0Ci\u00eancia do futuro e futuro da ci\u00eancia: redes e pol\u00edticas de nanoci\u00eancia e nanotecnologia no Brasil, de Jorge Luiz dos Santos Junior, na categoria Ci\u00eancias exatas, tecnologia e inform\u00e1tica. &nbsp; Para o editor\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":14695,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"editor_plus_post_options":"{}","editor_plus_copied_stylings":"{}","footnotes":""},"categories":[202],"tags":[692,248,548,244,720,323],"class_list":["post-14694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-eduerj-premiojabuti-premio-machadodeassis","tag-italia","tag-letras","tag-machado-de-assis","tag-machado-de-assis-e-o-canone-ocidental","tag-sonia-netto-salomao"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":5}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14694\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}