{"id":15578,"date":"2018-03-21T14:34:59","date_gmt":"2018-03-21T17:34:59","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=15578"},"modified":"2018-04-03T11:28:16","modified_gmt":"2018-04-03T14:28:16","slug":"entrevista-com-o-professor-luiz-antonio-de-castro-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/entrevista-com-o-professor-luiz-antonio-de-castro-santos\/","title":{"rendered":"Entrevista com o professor Luiz Antonio de Castro Santos"},"content":{"rendered":"<p>Os ensaios de\u00a0<em>O Pensamento social no Brasil \u2013 Estilos, idiomas<\/em>\u00a0abordam a obra de intelectuais que procuraram pensar o Brasil, independente de modelos pr\u00e9-estabelecidos.\u00a0O autor, professor Luiz Antonio de Castro Santos, conversou com o Blog da EdUERJ sobre o livro, publicado em parceria com a Gramma Editora.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea enfoca a produ\u00e7\u00e3o de intelectuais ligados a um pensamento social brasileiro. Gostaria que voc\u00ea falasse sobre o impacto de se propor este debate nos dias de hoje.<\/strong><\/p>\n<p>Felizmente o debate ainda \u00e9 uma possibilidade, ainda que n\u00e3o se aproxime de uma probabilidade estat\u00edstica&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos a revista <em>Lua Nova<\/em> trouxe um excelente debate sobre o tema. O t\u00edtulo remete diretamente ao texto na web: \u201cSimp\u00f3sio: cinco quest\u00f5es sobre o pensamento social brasileiro\u201d. Ali est\u00e1 uma \u00f3tima e recente oportunidade para uma perspectiva otimista. De Ang\u00e9lica Madeira a S\u00e9rgio Miceli, os depoimentos revelam ao leitor algo raro no mundo acad\u00eamico: em nossa \u00e1rea quase todos se leem, ou seja, nos lemos! Isto obviamente pode ser um \u201cfator de impacto\u201d na tentativa de alcan\u00e7armos o leitor. Se focalizarmos uma das cinco quest\u00f5es, \u201cQuais os livros ou artigos da \u00e1rea voc\u00ea destacaria?\u201d, os depoimentos sugerem um bom interc\u00e2mbio. Cita-se com alguma frequ\u00eancia trabalhos de S\u00e9rgio Miceli, Angela Alonso, Eduardo Jardim de Moraes, Elide Rugai Bastos, Renan Freitas Pinto, Lilia Moritz Schwarcz, Roberto Ventura, Ricardo Benzaquen, Luiz Werneck Vianna, entre mais de uma dezena de autores, denotando o interc\u00e2mbio que apontei. Por fim, e important\u00edssimo, lembrados nos depoimentos de Werneck Vianna e Roberto Motta, l\u00e1 est\u00e3o os Nossos Cl\u00e1ssicos \u2013 lembro aqui a valiosa cole\u00e7\u00e3o de livrinhos com esse t\u00edtulo, publicados pela antiga Editora Agir \u2013 Gilberto Freyre e S\u00e9rgio Buarque de Holanda. Enfim, o debate est\u00e1 no ar, disputando lugar na enxurrada de temas importantes que nos atraem a aten\u00e7\u00e3o e nos for\u00e7am a fazer escolhas dif\u00edceis no dia a dia.<\/p>\n<p><strong>Seu livro traz reflex\u00f5es sobre autores como Pereira Barreto, Azevedo Sodr\u00e9, Arthur Neiva, Belis\u00e1rio Pena e Sergio Buarque de Holanda. Qual foi o ponto crucial que o levou a escrever sobre estes nomes?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Buarque \u00e9 e ser\u00e1 sempre um \u201cponto crucial\u201d. Hoje, mais do que nunca, pois leio, perplexo, uma torrente de interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas sobre sua obra, em particular sobre <em>Ra\u00edzes do Brasil<\/em>. Mas mesmo o livro <em>Vis\u00e3o do Para\u00edso<\/em>, \u201cpoupado\u201d pela cr\u00edtica recente, anda meio negligenciado.<\/p>\n<p><em>Ra\u00edzes do Brasil<\/em>, obra inicialmente publicada em 1936, recebeu um pref\u00e1cio extraordinariamente esclarecedor de Antonio Candido \u00e0 quinta edi\u00e7\u00e3o, de 1969. Costumo dizer aos meus alunos que n\u00e3o se trata de um pref\u00e1cio qualquer. \u00c9 leitura obrigat\u00f3ria. E, curioso, sempre me vem \u00e0 cabe\u00e7a a ideia de que seus cr\u00edticos mais retumbantes, entre os quais se alinha\/desalinha o Prof. Jess\u00e9 de Souza, jamais leram o pref\u00e1cio. Porque Antonio Candido de fato p\u00f5e o livro em seu contexto \u201cenraizado\u201d, em sua \u00e9poca de fecunda\u00e7\u00e3o e germina\u00e7\u00e3o. A leitura do pref\u00e1cio evita algo que vai se tornando moda em nossos cursos de ci\u00eancias humanas, que \u00e9 rotular, para n\u00e3o ler. Por exemplo, \u201cGilberto Freyre criou o mito de que somos uma democracia racial\u201d. N\u00e3o \u00e9 verdade, os leitores de boa-f\u00e9 de Gilberto devem ler Oracy Nogueira e sua distin\u00e7\u00e3o do preconceito de marca (heran\u00e7a do Brasil escravocrata) e preconceito de origem (heran\u00e7a dos Estados Unidos escravocrata) \u2013 fundamental leitura para relermos Gilberto. Sem preconceitos.<\/p>\n<p>Sobre <em>Vis\u00e3o do Para\u00edso<\/em> o que teria a dizer est\u00e1 no cap\u00edtulo que intitulei, a modo de provoca\u00e7\u00e3o, \u201cConvite a Todorov para ler S\u00e9rgio Buarque de Holanda\u201d. Em duas palavras, meu artigo busca revelar que <em>Vis\u00e3o do Paraiso<\/em> discute, com imensa erudi\u00e7\u00e3o, a conquista \u201cdas Am\u00e9ricas\u201d, enquanto o ensa\u00edsta romeno focaliza apenas o Caribe e o M\u00e9xico. Mas o t\u00edtulo de sua obra, traduzida mundo afora, \u00e9 enganoso: <em>A Conquista <u>da Am\u00e9rica<\/u><\/em> (meu grifo), mas paradoxalmente \u00e9 apenas a voz de um dos povos. S\u00e9rgio d\u00e1 voz \u00e0s Am\u00e9ricas e a seus povos, n\u00e3o apenas a um povo das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea v\u00ea muitas interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas da obra de S\u00e9rgio Buarque de Holanda, certo?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sim. Temos hoje o exemplo funesto de que S\u00e9rgio Buarque de Holanda teria inventado o \u201chomem cordial\u201d brasileiro, assim como a nossa \u201cpretensa heran\u00e7a patrimonial-patriarcal\u201d (cito aqui passagem de um livro muito importante, de S\u00e9rgio Tavolaro). Eu teria de retirar, de pronto, o adjetivo \u201cpretensa\u201d \u2013 pois aquela heran\u00e7a, muito bem estudada por \u201cNossos Cl\u00e1ssicos\u201d, \u00e9 a argamassa que revestiu e reveste nosso presente de brutais desigualdades, injusti\u00e7as e identidades sociais esgar\u00e7adas \u2013 de ponta a ponta, de nossa juventude sem rumo aos idosos abandonados; das classes oper\u00e1rias aos sem-teto e sem-terra. Ora, esse \u00e9 o ponto que remete \u00e0s tolices ditas por cr\u00edticos de S\u00e9rgio Buarque sobre a \u201ccordialidade\u201d. \u00c9 preciso que entendamos o conceito, em S\u00e9rgio, como uma contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201ccivilidade\u201d. Somos \u201ccordiais\u201d n\u00e3o porque somos \u201cbonzinhos\u201d, mas porque n\u00e3o incorporamos, em nossa sociabilidade, a capacidade de distinguir o espa\u00e7o p\u00fablico, de um lado, da vida privada, de outro. A cordialidade \u00e9 o espa\u00e7o dos afetos. O termo vem do latim, \u201ccor, cordis\u201d, cora\u00e7\u00e3o&#8230; \u00a0Nossos interesses se pautam, n\u00e3o pelo sentido de coletividade, mas pelo sentido da fam\u00edlia, da casa-grande, de meu territ\u00f3rio e de minha heran\u00e7a de nome e tradi\u00e7\u00e3o&#8230; \u00a0H\u00e1 uma passagem na obra <em>Labirinto da Solid\u00e3o<\/em>, do ensa\u00edsta mexicano Octavio Paz, que fala justamente da \u201ccordialidade\u201d em seu pa\u00eds: \u201ctrai\u00e7\u00e3o e lealdade jazem fundo em nossa mirada\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gilberto Freyre est\u00e1 em destaque no livro, abordado em quatro cap\u00edtulos, ao contr\u00e1rio dos outros autores escolhidos. Como foi o processo de confec\u00e7\u00e3o deste material? Ali\u00e1s, um dos cap\u00edtulos trata do impacto de Gilberto na historiografia norte-americana. Como se d\u00e1 esta contribui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O processo de confec\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio na segunda metade dos anos de 1970, durante meu doutorado no departamento de sociologia, na universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts. T\u00ednhamos de produzir um \u201cpaper te\u00f3rico\u201d e passar por um \u201cqualifying\u201d quantitativo. Nunca fui bom em m\u00e9todos quantitativos e decidi fazer cursos introdut\u00f3rios do outro lado de Harvard Yard, na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, que era fraquinha, tipicamente uma unidade de Harvard voltada para produzir mestres e doutores \u201cdo Terceiro Mundo\u201d. Mas aprendi o b\u00e1sico, que ficou at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Quanto ao texto de car\u00e1ter te\u00f3rico, decidi escrever sobre Gilberto Freyre, justamente porque seu impacto na historiografia norte-americana tinha sido consider\u00e1vel e, naqueles anos de 1970, a onda tinha passado \u2013 e eu queria retomar o tema, traz\u00ea-lo de volta para colegas e professores que, com poucas exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o conheciam. \u00a0Pensei inicialmente em compar\u00e1-lo, sob v\u00e1rios \u00e2ngulos, \u00e0 trajet\u00f3ria de Florestan Fernandes \u2013 ent\u00e3o exilado no Canad\u00e1 e com boa tradu\u00e7\u00e3o de seus textos para o ingl\u00eas. O paper representava um requisito para o mestrado em sociologia e o tema n\u00e3o podia em hip\u00f3tese alguma ser o mesmo da tese, que eu j\u00e1 decidira dedicar a um estudo hist\u00f3rico-sociol\u00f3gico da Sa\u00fade no Brasil.<\/p>\n<p>Ao retornar ao Brasil e ler e reler a produ\u00e7\u00e3o de vida inteira de Gilberto Freyre, tive uma sensa\u00e7\u00e3o muito forte\u00a0 \u2013 que explica, talvez, o n\u00famero maior de cap\u00edtulos que dedico ao Mestre de Apipucos neste livro. Foi a percep\u00e7\u00e3o de uma queda de qualidade acentuada em seus escritos, a partir de seus cinquenta ou sessenta anos de idade. Como Gilberto nascera na virada do s\u00e9culo, s\u00e3o os anos cinquenta em diante, a meu ver, que denotam essa mudan\u00e7a &#8211; uma fragilidade em seus escritos, at\u00e9 ent\u00e3o inexplic\u00e1vel para mim. Em busca de uma explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que redigi o que \u00e9 agora o cap\u00edtulo 3, que recebeu de Antonio Candido uma aprecia\u00e7\u00e3o generosa sobre minha contribui\u00e7\u00e3o a uma \u201csociologia da vaidade\u201d, por abordar os fatores ou condi\u00e7\u00f5es que teriam influenciado o homem e o autor Gilberto, em sua trajet\u00f3ria descendente, fincada em Recife. Este \u00e9 o argumento do texto: a partir de certo momento em sua vida o autor Gilberto se torna um ator \u2013 um mau ator\u00a0\u00a0\u2013 em busca de reconhecimento e aprova\u00e7\u00e3o. E isto tem um efeito desfavor\u00e1vel, para sua obra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea alega que o autor de Casa-grande &amp; senzala foi mais bem sucedido ao falar das classes dominantes do que ao tratar das camadas mais populares. Voc\u00ea acredita que este fato possa impedir, nos dias de hoje, um reconhecimento mais profundo da obra de Freyre?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estou seguro que sim, infelizmente. E isto \u00e9 um desservi\u00e7o ao debate sobre o pensamento social e pol\u00edtico no Brasil. Nos dias de hoje, a \u201crejei\u00e7\u00e3o\u201d aos escritos de Freyre (aos livros do \u201cprimeiro\u201d Freyre \u2013\u00a0 autor de <em>Casa-grande &amp; senzala<\/em>, de outra obra-prima que \u00e9 <em>Nordeste<\/em>, al\u00e9m de <em>Sobrados e mocambos<\/em>) \u00e9 ao mesmo tempo a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de entendermos como, a partir do passado senhorial e at\u00e9 os dias de hoje, particularmente no terreno pantanoso da pol\u00edtica, as classes dominantes manipularam e manipulam espantosamente as classes populares. Tudo est\u00e1 l\u00e1, em tom maior e de trag\u00e9dia grega, em passagens da obra primeira de Gilberto Freyre. \u00c9 ler, para crer.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o, voc\u00ea manifesta a preocupa\u00e7\u00e3o com a ades\u00e3o dos estudantes \u00e0 pauta da agenda das metr\u00f3poles internacionais em detrimento da busca de uma reflex\u00e3o que n\u00e3o se afaste por completo da nossa realidade. Voc\u00ea acredita que a universidade ainda pode mudar esta tend\u00eancia?<\/p>\n<p>Tenho receio de que temos de superar, para a mudan\u00e7a de tal tend\u00eancia, certas dimens\u00f5es do que chamo a \u201csubalternidade\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao centro ou \u00e0s metr\u00f3poles internacionais. Est\u00e1 em todos n\u00f3s, n\u00e3o apenas entre os estudantes. Na verdade, a cr\u00edtica a um imaginado discurso hegem\u00f4nico de nossos cl\u00e1ssicos \u2013 hegemonia de antigos autores sobre as gera\u00e7\u00f5es atuais \u2013 \u00e9 equivocada. A hegemonia \u00e9 externa. Os excessos de voca\u00e7\u00f5es \u201ctribais\u201d, por exemplo, s\u00e3o um produto-USA. Conhe\u00e7o colegas, nos Estados Unidos, que n\u00e3o dominam a literatura sociol\u00f3gica que formou seus mestres e mestras e formou minha gera\u00e7\u00e3o, mas se tornaram \u201cespecialistas\u201d em g\u00eanero, em \u201cracial studies\u201d etc. H\u00e1 um enquistamento espantoso, que trai nossas melhores tradi\u00e7\u00f5es nas ci\u00eancias humanas. Pena que, justamente, n\u00e3o sejamos hegem\u00f4nicos, se me permito aqui a ironia. Sempre rendemos tributo a vozes de fora.<\/p>\n<p>Um exemplo surpreendente est\u00e1 nos trabalhos de Boaventura de Souza Santos, cuja cr\u00edtica justa \u00e0 neglig\u00eancia do centro em rela\u00e7\u00e3o a nossas periferias deixa de considerar que mesmo nossos e nossas colegas de Lisboa, Coimbra ou Braga est\u00e3o de olhos voltados para a Fran\u00e7a, Inglaterra, Estados Unidos \u2013 e n\u00e3o para n\u00f3s. N\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo conosco, afora as cita\u00e7\u00f5ezinhas de praxe. Isso vale para Boaventura, cujo c\u00edrculo e impacto internacional desconhecem a produ\u00e7\u00e3o brasileira. Estou convencido, hoje, de que dever\u00edamos abrir nossas portas a alunos portugueses para fazerem p\u00f3s-doutorados s\u00e9rios conosco, n\u00e3o privilegiar a dire\u00e7\u00e3o inversa: alunos nossos fazendo doutorados e rec\u00e9m-doutores fazendo \u201cp\u00f3s-doutorados\u201d em Portugal. A rigor, se quisermos medir \u201cimpactos\u201d, a consolida\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias humanas no Brasil data dos anos 30, enquanto Salazar mumificou a vida acad\u00eamica portuguesa por 40 anos.<\/p>\n<p>Vejamos, no Brasil, o que ocorre com os chamados \u201cconvidados internacionais\u201d, que t\u00eam acolhida fraterna e festiva como palestrantes em nossos Congressos. Se acompanharmos seu retorno a seus centros de origem, impressiona como n\u00e3o deixamos qualquer tra\u00e7o em seus escritos \u2013 mesmo quando publicamos (h\u00e9las!) em ingl\u00eas, em revistas feitas para nossos colegas que n\u00e3o dominam o portugu\u00eas. &#8230; Nossos Cl\u00e1ssicos t\u00eam uma envergadura excepcional, e n\u00e3o me parece que a estatura internacional de um S\u00e9rgio Buarque de Holanda \u2013 falo de lastro, de erudi\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia exemplares, n\u00e3o de \u201cimpacto l\u00e1 fora\u201d \u2013 tenha a ver com viagens a congressos no exterior, aos quais vamos para ouvir, n\u00e3o para sermos ouvidos. A trajet\u00f3ria de Gilberto Freyre \u00e9 peculiar, como sugiro em meus cap\u00edtulos sobre ele, mas eu diria que seus p\u00e9riplos internacionais foram importantes em sua carreira porque ele ia \u00e0 Fran\u00e7a para dar confer\u00eancias, n\u00e3o para assisti-las&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por fim, \u201cO pensamento social no Brasil\u201d abrange temas diversos, sem se distanciar da quest\u00e3o do pensamento social. Que leitor voc\u00ea espera alcan\u00e7ar com esta nova edi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desejo alcan\u00e7ar, com o aux\u00edlio luxuoso do Blog de EdUERJ, o leitor ou a leitora que queira ou consiga escapar a modismos recentes, ou a cr\u00edticas descabeladas a autores de outros tempos, como a S\u00e9rgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, mas o livro, na presente reedi\u00e7\u00e3o, est\u00e1 muito bonito, eu n\u00e3o uso jarg\u00e3o, creio que os temas de que trato s\u00e3o absolutamente atuais. E mesmo um texto que, digamos, \u201ccorre por fora\u201d, que \u00e9 o cap\u00edtulo sobre a agricultura cafeeira na \u00c1frica dos anos 50, nos remete ao panorama atual, nosso, de produ\u00e7\u00e3o monocultora para exporta\u00e7\u00e3o e descaso \u00e0 agricultura alimentar. Justamente do que trata nosso Gilberto em seu magistral <em>Nordeste:<\/em> Aspectos da Influ\u00eancia da Cana sobre a Vida e a Paisagem do Nordeste do Brasil. Um livro premonit\u00f3rio, de 1939. Obrigado \u00e0 equipe da nova EdUERJ pela nova edi\u00e7\u00e3o de meu livro, em parceria com a Gramma.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ensaios de\u00a0O Pensamento social no Brasil \u2013 Estilos, idiomas\u00a0abordam a obra de intelectuais que procuraram pensar o Brasil, independente de modelos pr\u00e9-estabelecidos.\u00a0O autor, professor Luiz Antonio de Castro Santos, conversou com o Blog da EdUERJ sobre o livro, publicado em parceria com a Gramma Editora. Voc\u00ea enfoca a produ\u00e7\u00e3o de intelectuais ligados a um pensamento social brasileiro. Gostaria que voc\u00ea falasse sobre o impacto de se propor este debate nos dias de hoje. Felizmente o debate ainda \u00e9 uma possibilidade, ainda que n\u00e3o se aproxime de uma probabilidade estat\u00edstica&#8230; H\u00e1 alguns anos a revista Lua Nova trouxe um excelente\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":15579,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"editor_plus_post_options":"{}","editor_plus_copied_stylings":"{}","footnotes":""},"categories":[202],"tags":[771,772,668,703,773,774],"class_list":["post-15578","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-antonio-candido","tag-gilberto-freyre","tag-gramma","tag-luiz-antonio-de-castro-santos","tag-o-pensamento-social-no-brasil-estilos","tag-sergio-buarque-de-holanda"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":5}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15578\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}