{"id":18926,"date":"2019-08-19T14:24:58","date_gmt":"2019-08-19T17:24:58","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=18926"},"modified":"2019-08-19T14:24:58","modified_gmt":"2019-08-19T17:24:58","slug":"entrevista-sobre-o-livro-formacao-de-professores-para-uma-educacao-plural-e-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/entrevista-sobre-o-livro-formacao-de-professores-para-uma-educacao-plural-e-democratica\/","title":{"rendered":"Entrevista sobre o livro &#8220;Forma\u00e7\u00e3o de professores para uma educa\u00e7\u00e3o plural e democr\u00e1tica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Na quarta-feira, dia 21 de agosto, a EdUERJ lan\u00e7a o livro<em>\u00a0Forma\u00e7\u00e3o de professores para uma educa\u00e7\u00e3o plural e democr\u00e1tica.\u00a0<\/em>O Blog da EdUERJ conversou com o professor Luiz Conde Sangenis, um dos respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do livro. Ele \u00e9\u00a0professor associado da Faculdade de Forma\u00e7\u00e3o de Professores da UERJ e docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>Processos Formativos e Desigualdades Sociais.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Professor, conte um pouco sobre a sele\u00e7\u00e3o dos textos que comp\u00f5em o livro.<\/strong><\/p>\n<p>O livro re\u00fane 18 textos escritos por 32 professores\/pesquisadores de diversas universidades e centros de forma\u00e7\u00e3o de professores do Brasil, da Argentina, da Col\u00f4mbia, do M\u00e9xico e de Portugal. O fio condutor da obra \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de professores, especialmente, na Am\u00e9rica Latina. O trabalho do grupo de pesquisa Vozes da Educa\u00e7\u00e3o da Faculdade de Forma\u00e7\u00e3o de Professores da UERJ, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, \u00e9 o catalizador desse bel\u00edssimo time de autores. Os textos apresentam narrativas, experi\u00eancias e reflex\u00f5es sobre a forma\u00e7\u00e3o docente no contexto nacional e latino-americano, em um momento em que est\u00e1 em curso um projeto pol\u00edtico-ideol\u00f3gico e econ\u00f4mico determinado a restringir direitos pol\u00edticos, sociais, civis e fazer avan\u00e7ar formas de capitalismo concentrador de riquezas que aumenta velozmente o fosso entre ricos e pobres. Sinais desse processo ganham visibilidade nas privatiza\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os p\u00fablicos, nos cortes profundos nos investimentos em sa\u00fade e em educa\u00e7\u00e3o e na tentativa de desapropria\u00e7\u00e3o docente do exerc\u00edcio aut\u00f4nomo de sua profiss\u00e3o. A ideia da escola sem partido vem nessa dire\u00e7\u00e3o. Vemos que o atual governo est\u00e1 fazendo cortes substantivos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior, bem como na \u00e1rea de ci\u00eancia e tecnologia. Vivemos tempos em que professores, cientistas e artistas s\u00e3o tratados como inimigos do governo. Creio que o livro chega numa boa hora em que temos que unir for\u00e7as para resistirmos \u00e0 trucul\u00eancia, \u00e0 ignor\u00e2ncia e \u00e0 p\u00f3s-verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sabemos que o Grupo de Pesquisa, Ensino e Extens\u00e3o \u201cVozes da Educa\u00e7\u00e3o: Mem\u00f3rias, Hist\u00f3rias, Forma\u00e7\u00e3o de Professores\u201d inspirou o lan\u00e7amento do livro. Conte-nos um pouco sobre as atividades do grupo.<\/strong><\/p>\n<p>O Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o Vozes da Educa\u00e7\u00e3o: mem\u00f3ria(s), hist\u00f3ria(s) e forma\u00e7\u00e3o de professores(as), ao longo dos seus mais de 22 anos de exist\u00eancia construiu uma trajet\u00f3ria bonita. Nossas a\u00e7\u00f5es buscam\u00a0constituir espa\u00e7os de mem\u00f3ria, narra\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o para estudantes, professores e pesquisadores em um permanente di\u00e1logo com a cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo e com os munic\u00edpios localizados no Leste Fluminense, tendo como princ\u00edpio a articula\u00e7\u00e3o pesquisa-ensino-extens\u00e3o. O Grupo Vozes da Educa\u00e7\u00e3o promoveu seis semin\u00e1rios Internacionais de Educa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, o livro que estamos lan\u00e7ando \u00e9 um dos produtos do nosso \u00faltimo semin\u00e1rio. Trata-se do nosso s\u00e9timo livro de produ\u00e7\u00e3o coletiva, este, com financiamento da CAPES. Em in\u00edcio de dezembro, o Grupo Vozes est\u00e1 promovendo o seu s\u00e9timo semin\u00e1rio que tem o tema: Vozes da Educa\u00e7\u00e3o: resist\u00eancias pol\u00edticas e po\u00e9ticas na vida e na educa\u00e7\u00e3o. Nesse evento, vamos homenagear a professora e pesquisadora Regina Leite Garcia, recentemente falecida, e que \u00e9 uma refer\u00eancia importante para a \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. Desejamos convidar todos os educadores, professoras e professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior, alunas e alunos da gradua\u00e7\u00e3o e da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, bem como pesquisadoras e pesquisadores da \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o e \u00e1reas afins para que venham estar conosco nesse VII Vozes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A rela\u00e7\u00e3o entre movimentos sociais e direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 debatida em alguns textos do livro. Na sua opini\u00e3o, os movimentos sociais podem ser encarados como \u201cagentes\u201d de forma\u00e7\u00e3o de professores? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Os movimentos sociais s\u00e3o muito importantes para a sociedade brasileira, marcada por imensas desigualdades. Hoje, os movimentos sociais s\u00e3o criminalizados e mesmo desqualificados por parte da nossa sociedade. Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil, na d\u00e9cada 80 do s\u00e9culo passado, os movimentos sociais tiveram um protagonismo pol\u00edtico important\u00edssimo na cena social brasileira: os movimentos de trabalhadores rurais e urbanos, de sem-terra e de sem teto, de minorias \u00e9tnico-raciais e sexuais, de negros e de ind\u00edgenas, de mulheres, de gays e de l\u00e9sbicas, ou movimentos reivindicat\u00f3rios de direitos por educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, emprego, moradia, trabalho e etc. No campo da educa\u00e7\u00e3o, os movimentos sociais reivindicam mais e melhores escolas, e diria mesmo, outras escolas, no sentido de projetos educacionais alternativos que sejam contra a hegemonia do capital que tudo quer transformar em mercadoria e produto de mercado e de venda. Os movimentos sociais sempre valorizaram a escola p\u00fablica, laica, com financiamento p\u00fablico e de qualidade. O di\u00e1logo entre escola, educadores e movimentos sociais \u00e9 imprescind\u00edvel. Acabou o tempo em que a escola se fechava entre seus muros, apartando-se da realidade, do mundo tal qual ele \u00e9, das ruas, do mundo do trabalho e de outras institui\u00e7\u00f5es sociais e produtivas. A pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos estudantes e dos professores nos movimentos sociais, bem como a permeabilidade da escola em absorver e a assumir as suas lutas que pretendem a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade t\u00eam consequ\u00eancias formativas. Apenas para exemplificar, a escola e os professores n\u00e3o podem simplesmente agir, e continuar a fazer o seu trabalho, sem se afetar com o fen\u00f4meno da exclus\u00e3o promovida pelo pr\u00f3prio sistema educacional. A minoria dos que entraram na escola concluem o ensino m\u00e9dio, e ainda uma parcela muito diminuta ascende ao ensino superior. Outro exemplo \u00e9 a luta das m\u00e3es e mulheres trabalhadoras pela amplia\u00e7\u00e3o das creches p\u00fablicas para seus filhos, como parte inicial da educa\u00e7\u00e3o infantil. Democratizar e aumentar a efic\u00e1cia do sistema educacional \u00e9 um trabalho dos professores, sem d\u00favida, mas s\u00f3 ser\u00e1 bem-sucedido com o engajamento de todos os segmentos sociais e pol\u00edticos, reivindicando ao estado os direitos sociais que ainda s\u00e3o negados aos mais pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alguns cap\u00edtulos sugerem que a forma\u00e7\u00e3o de professores seria um caminho para transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Que aspectos dessa forma\u00e7\u00e3o, inicial ou continuada, voc\u00ea apontaria como cruciais \u00e0s mudan\u00e7as na qualidade da educa\u00e7\u00e3o brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de professores, de fato, \u00e9 um dos principais caminhos para a transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Diferente do discurso f\u00e1cil, que tenta desqualificar os professores, que seriam mal preparados para exercer o magist\u00e9rio, partimos da premissa de que os professores s\u00e3o o elemento central dessa transforma\u00e7\u00e3o. De nada adianta uma bela forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-pedag\u00f3gica se n\u00e3o est\u00e3o encharcados da realidade do povo brasileiro, especialmente, das camadas populares mais pobres que frequentam a escola p\u00fablica. As compet\u00eancias pol\u00edticas e \u00e9ticas s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto as pedag\u00f3gicas e instrumentais. Sem a empatia com a cultura popular brasileira, sem amar e valorizar a experi\u00eancia dos mais pobres n\u00e3o se faz boa educa\u00e7\u00e3o. Os professores e as escolas, sobretudo as inst\u00e2ncias formativas, t\u00eam de mudar suas perspectivas de curr\u00edculo, ainda preso a padr\u00f5es de \u00e9pocas passadas, de modo a saber lidar com abordagens interdisciplinares e com as tecnologias e m\u00eddias dispon\u00edveis, integrando-as ao seu fazer pedag\u00f3gico, trabalhar cooperativamente em projetos did\u00e1ticos envolvendo, inclusive, a comunidade. Formar professores, como disse Bernardete Gatti, em seu cap\u00edtulo, \u00e9 formar para a forma\u00e7\u00e3o das futuras gera\u00e7\u00f5es, responsabilidade que as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, especialmente as p\u00fablicas, s\u00e3o chamadas a cumprir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De que forma voc\u00ea acredita que a leitura da obra possa ajudar os profissionais ou estudantes da \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>A obra \u00e9 um convite para pensarmos a forma\u00e7\u00e3o de professores e a educa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, de modo mais geral, sob perspectivas plurais e democr\u00e1ticas, conforme sugere o t\u00edtulo. O livro apresenta muitas narrativas interessantes e faz provoca\u00e7\u00f5es inspiradoras: trajet\u00f3rias de vida e de forma\u00e7\u00e3o das professoras e dos professores, quest\u00f5es curriculares candentes como a \u201cdesheterossexualiza\u00e7\u00e3o\u201d do curr\u00edculo, reflex\u00f5es sobre a educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, a educa\u00e7\u00e3o inclusiva, a educa\u00e7\u00e3o ambiental, as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, as lutas por educa\u00e7\u00e3o travadas pelos movimentos sociais, o papel das redes na forma\u00e7\u00e3o de professoras e de professores, inclusive assuntos que promovem enlaces entre a escola, a escrita acad\u00eamica, a literatura e a cultura popular brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O lan\u00e7amento do livro<em> Forma\u00e7\u00e3o de professores para uma educa\u00e7\u00e3o plural e democr\u00e1tica &#8211;\u00a0<\/em>organizado por Luiz Fernando Conde Sangenis, Elaine Ferreira Rezende de Oliveira e Helo\u00edsa Josiele Santos Carreiro &#8211; ser\u00e1 dia 21 de agosto (quarta-feira), \u00e0s 17:30 h, na Livraria EdUERJ, pr\u00f3ximo ao hall dos elevadores (t\u00e9rreo).<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na quarta-feira, dia 21 de agosto, a EdUERJ lan\u00e7a o livro\u00a0Forma\u00e7\u00e3o de professores para uma educa\u00e7\u00e3o plural e democr\u00e1tica.\u00a0O Blog da EdUERJ conversou com o professor Luiz Conde Sangenis, um dos respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do livro. Ele \u00e9\u00a0professor associado da Faculdade de Forma\u00e7\u00e3o de Professores da UERJ e docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o:\u00a0Processos Formativos e Desigualdades Sociais. &nbsp; Professor, conte um pouco sobre a sele\u00e7\u00e3o dos textos que comp\u00f5em o livro. 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