{"id":19056,"date":"2019-08-22T12:12:27","date_gmt":"2019-08-22T15:12:27","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=19056"},"modified":"2019-08-23T11:43:07","modified_gmt":"2019-08-23T14:43:07","slug":"darcilia-simoes-fala-sobre-a-8a-edicao-de-a-redacao-do-trabalhos-academicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/darcilia-simoes-fala-sobre-a-8a-edicao-de-a-redacao-do-trabalhos-academicos\/","title":{"rendered":"Darcilia Sim\u00f5es fala sobre a 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o de &#8220;A reda\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O Blog da EdUERJ conversou com Darcilia Sim\u00f5es, professora nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado do Instituto de Letras da UERJ. Ela \u00e9 organizadora (junto ao professor Claudio Cezar Henriques) do livro \u201cA reda\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos: teoria e pr\u00e1tica\u201d(8\u00aa edi\u00e7\u00e3o). <\/p>\n<p><strong>O livro \u201cA reda\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos: teoria e pr\u00e1tica\u201d, lan\u00e7ado em 2002, chegou em 2019 \u00e0 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o, como um dos <em>best sellers<\/em> da EdUERJ.\u00a0 Qual voc\u00ea acredita ser o motivo para a tamanha receptividade do p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p>Creio que a simplicidade com que s\u00e3o abordados os temas, de m\u00e1xima import\u00e2ncia para a educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p><strong>O embasamento te\u00f3rico \u00e9 um diferencial em rela\u00e7\u00e3o a muitas publica\u00e7\u00f5es que se restringem ao lado pragm\u00e1tico. Gostaria que voc\u00ea falasse um pouco sobre essa proposta.<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma proposta deliberada levar ao graduando no\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, juntamente com informa\u00e7\u00f5es de natureza pr\u00e1tica. A maioria dos brevi\u00e1rios se resume a apresentar exemplos sem discuss\u00e3o dos fundamentos de cada um dos g\u00eaneros que atravessam a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica dos sujeitos. Assim fazemos a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que a escrita de trabalhos acad\u00eamicos, principalmente da monografia, \u00e9 ainda um \u201cbicho de sete cabe\u00e7as\u201d para a maioria dos graduandos hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente isso \u00e9 verdade. Acredito que a dificuldade n\u00e3o come\u00e7a na monografia, mas na produ\u00e7\u00e3o de textos em geral. Como a monografia tem caracter\u00edsticas mais sofisticadas, o n\u00edvel de dificuldade aumenta, e o estudante que j\u00e1 se sente inseguro na produ\u00e7\u00e3o textual, certamente se sentir\u00e1 amedrontado diante da obriga\u00e7\u00e3o de produzir uma monografia.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea a possibilidade de esse quadro vir a melhorar?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que, se como na minha gradua\u00e7\u00e3o, o estudante fosse levado a produzir artigos relativos a cada disciplina cursada, as dificuldades da produ\u00e7\u00e3o da monografia iriam sendo minimizadas paulatinamente.<\/p>\n<p><strong>No cap\u00edtulo \u201cA produ\u00e7\u00e3o de textos acad\u00eamicos\u201d, voc\u00ea argumenta embora existam muitos manuais de escrita, nem sempre o estudante consegue melhorar a sua performance. Por que isso ocorre?<\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse, o problema n\u00e3o \u00e9 exclusivo da monografia, sen\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o escrita. Mesmo que a sele\u00e7\u00e3o para ingresso no ensino superior seja feita com \u00eanfase na reda\u00e7\u00e3o, o ensino de como redigir adequadamente ainda \u00e9 muito insuficiente. No Ensino M\u00e9dio, h\u00e1 um foco exclusivo na prepara\u00e7\u00e3o para o ENEM e assim h\u00e1 um modelo espec\u00edfico de reda\u00e7\u00e3o que \u00e9 trabalhado exaustivamente, acabando por produzir o famoso \u201cnariz de cera\u201d, que \u00e9 uma f\u00f4rma de reda\u00e7\u00e3o que se aplica a qualquer tema. Dessa maneira, o aluno \u00e9 treinado para um modelo apenas, e sua capacidade de cria\u00e7\u00e3o quando da produ\u00e7\u00e3o escrita fica embotada.<\/p>\n<p>Quando isso n\u00e3o se d\u00e1, enfatiza-se a produ\u00e7\u00e3o de cartas, cr\u00f4nicas e an\u00fancios, que s\u00e3o textos curtos e que n\u00e3o t\u00eam a formalidade da l\u00edngua exigida em um texto monogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>O ensino sem \u00eanfase na estrutura\u00e7\u00e3o gramatical, na sele\u00e7\u00e3o vocabular, enfim, em caracter\u00edsticas relevantes relativas ao uso formal da l\u00edngua, vem sendo deixado de lado, e o estudante, iludido com o descompromisso da gram\u00e1tica, se v\u00ea em \u201cpalpos de aranha\u201d quando \u00e9 levado a produzir um texto monogr\u00e1fico, cujo estilo exige dom\u00ednio do uso formal da l\u00edngua.<\/p>\n<p><strong>Um dos problemas que vemos hoje em dia e que se avolumam pela utiliza\u00e7\u00e3o da internet \u00e9 a falta de ineditismo. Isto acontece na m\u00fasica, na literatura e em variadas modalidades de express\u00e3o. Como voc\u00ea avalia hoje o n\u00edvel de amea\u00e7a que o ato de copiar imp\u00f5e ao ensino?<\/strong><\/p>\n<p>Toda c\u00f3pia sem escr\u00fapulo \u00e9 perigosa (quando n\u00e3o \u00e9 criminosa!). A disponibilidade de c\u00f3pia de tudo na internet aumenta o trabalho docente, pois temos que, al\u00e9m de tudo, ser ca\u00e7adores de pl\u00e1gio. Por outro lado, o v\u00edcio do recorta e cola, para dissimular a c\u00f3pia, resulta em verdadeiros monstrinhos textuais, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 crit\u00e9rio na colagem, e, al\u00e9m da falta de inventividade, de trabalho com ideias pr\u00f3pria, falta dom\u00ednio gramatical para fazer os encaixes dos retalhos obtidos na web.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m devemos considerar a pregui\u00e7a mental que se desenvolve com a hip\u00f3tese de que \u201ctudo j\u00e1 est\u00e1 pronto na internet\u201d. Os trabalhos ficam para a \u00faltima hora e n\u00e3o passam de repeti\u00e7\u00f5es mal feitas do j\u00e1 dito, sem qualquer reflex\u00e3o. Logo, tudo isso atrapalha o crescimento intelectual dos estudantes e atravanca o trabalho did\u00e1tico que tem de se ocupar com trabalhos cuja autoria \u00e9, no m\u00ednimo, duvidosa.<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria de A reda\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos: teoria e pr\u00e1tica, como voc\u00eas decidem se determinado tema merece ser objeto de um texto para uma futura edi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Em geral, os acr\u00e9scimos a uma obra, a meu ver, devem atender reivindica\u00e7\u00f5es dos leitores. Por enquanto o manual aprece atender a clientela. Mas estamos com ouvidos e olhos atentos a poss\u00edveis solicita\u00e7\u00f5es que venham a ensejar novos acr\u00e9scimos ao livro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Blog da EdUERJ conversou com Darcilia Sim\u00f5es, professora nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado do Instituto de Letras da UERJ. Ela \u00e9 organizadora (junto ao professor Claudio Cezar Henriques) do livro \u201cA reda\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos: teoria e pr\u00e1tica\u201d(8\u00aa edi\u00e7\u00e3o). O livro \u201cA reda\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos: teoria e pr\u00e1tica\u201d, lan\u00e7ado em 2002, chegou em 2019 \u00e0 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o, como um dos best sellers da EdUERJ.\u00a0 Qual voc\u00ea acredita ser o motivo para a tamanha receptividade do p\u00fablico? Creio que a simplicidade com que s\u00e3o abordados os temas, de m\u00e1xima import\u00e2ncia para a educa\u00e7\u00e3o superior. 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