{"id":23626,"date":"2021-03-03T00:16:22","date_gmt":"2021-03-03T03:16:22","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=23626"},"modified":"2021-03-03T00:31:04","modified_gmt":"2021-03-03T03:31:04","slug":"uma-reflexao-sobre-cultura-negra-e-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/uma-reflexao-sobre-cultura-negra-e-cidadania\/","title":{"rendered":"Uma reflex\u00e3o sobre cultura negra e cidadania no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX , o ritmo sincopado da m\u00fasica que emanava de bailes atra\u00eda cada vez mais gente. Era imposs\u00edvel ignorar o que estava acontecendo. Eram os prim\u00f3rdios de um movimento que levaria o escritor Olavo Bilac a afirmar, em 1906, que o &#8220;Rio de Janeiro \u00e9 a cidade que dan\u00e7a&#8221;. Essa defini\u00e7\u00e3o est\u00e1 no t\u00edtulo de um lan\u00e7amento que \u00e9 fruto de parceria da EdUERJ com a Editora da Unicamp.<br><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A cidade que dan\u00e7a &#8211; clubes e bailes negros no Rio de Janeiro (1881-1933), de Leonardo Affonso de Miranda Pereira, traz pistas para que se compreenda a hist\u00f3ria dos gr\u00eamios dan\u00e7antes do Rio de Janeiro, assim como o papel que essas associa\u00e7\u00f5es desempenhavam como espa\u00e7o de reafirma\u00e7\u00e3o da identidade do cidad\u00e3o negro e de sua inser\u00e7\u00e3o no meio social.<br><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Bailes como o Flor do Ros\u00e1rio, o Rosa Branca ou o Ameno Resed\u00e1 e tantos espalhavam-se pela cidade, propiciando divers\u00e3o, cultura e confraterniza\u00e7\u00e3o. Contudo, ainda que n\u00e3o fossem proibidos, os bailes eram associados constantemente, pela pol\u00edcia e por parte da imprensa, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 promiscuidade, denotando os valores racistas preponderantes da sociedade.<br><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O autor procurou se contrapor \u00e0s an\u00e1lises mais comuns, de estudiosos que subestimavam qualquer possibilidade de a\u00e7\u00e3o para ex escravos e seus descendentes diante das estrat\u00e9gias forjadas no per\u00edodo para impedir a participa\u00e7\u00e3o popular na ainda jovem rep\u00fablica. Essas an\u00e1lises negligenciaram as trilhas escolhidas para o processo de afirma\u00e7\u00e3o social. Nas agremia\u00e7\u00f5es dan\u00e7antes, mais do que lazer, os frequentadores reafirmavam a identidade e a cultura negras, ao mesmo tempo em que sobrepujavam a tentativa de controle que a rep\u00fablica lhes impunha, principalmente por meio da pol\u00edcia.<br><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A pesquisa teve como base diversos registros, como jornais da \u00e9poca e at\u00e9 mesmo pe\u00e7as de teatro. O autor procurou o ponto de vista de literatos como Olavo Bilac, Jo\u00e3o do Rio, Lins de Albuquerque, Coelho Netto, Baptista Coelho Viriato Corr\u00eaa, Machado de Assis, Francisco Guimar\u00e3es, Lima Barreto e Gilberto Freyre, entre outros.<br><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Obra multidisciplinar que abrange sociologia, hist\u00f3ria e estudos culturais e liter\u00e1rios, &#8220;A cidade que dan\u00e7a&#8221; delineia uma cr\u00f4nica urbana da cidade do Rio de Janeiro e de seus habitantes, ao mesmo tempo em que evoca os mecanismos de exclus\u00e3o de outrora cujos resqu\u00edcios ainda se fazem presentes em nossos dias.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX , o ritmo sincopado da m\u00fasica que emanava de bailes atra\u00eda cada vez mais gente. Era imposs\u00edvel ignorar o que estava acontecendo. 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