{"id":25127,"date":"2021-12-03T14:59:50","date_gmt":"2021-12-03T17:59:50","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=25127"},"modified":"2021-12-07T21:17:54","modified_gmt":"2021-12-08T00:17:54","slug":"livro-ve-representacoes-da-angolanidade-em-literatura-africana-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/livro-ve-representacoes-da-angolanidade-em-literatura-africana-contemporanea\/","title":{"rendered":"Livro v\u00ea representa\u00e7\u00f5es da angolanidade em literatura africana contempor\u00e2nea."},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 indiscut\u00edvel que a literatura ecoe as realidades sociais de cada pa\u00eds. Autores reproduzem ang\u00fastias, anseios ou certezas, consciente ou inconscientemente, mesmo quando as obras n\u00e3o se prop\u00f5em a navegar pela pol\u00edtica ou pelo realismo. O desenvolvimento da literatura angolana \u00e9 um exemplo disso. Durante um bom tempo ela refletiu o desejo comum do pa\u00eds de se desenredar da realidade in\u00f3spita de ser uma col\u00f4nia. &nbsp;A prem\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o unia a todos, advento que ocorreu somente em 1975, com a revolu\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o a cultura e as artes mantinham-se sincronizadas com os sonhos e esperan\u00e7as de uma utopia libert\u00e1ria. E depois? <\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Algumas respostas podem ser encontradas em<em> &nbsp;<em>A gera\u00e7\u00e3o da distopia: Representa\u00e7\u00f5es da angolanidade na prosa contempor\u00e2nea de Luandino Vieira, Pepetela e Jo\u00e3o Melo de Melo.<\/em><\/em>&nbsp;O livro &nbsp;aborda o impacto da independ\u00eancia de Angola na produ\u00e7\u00e3o da escrita angolana. A publica\u00e7\u00e3o, na seara da an\u00e1lise liter\u00e1ria, trafega tamb\u00e9m por hist\u00f3ria e pelos estudos culturais. O autor Marcelo Brand\u00e3o Mattos \u00e9 professor adjunto da UERJ na \u00e1rea de literatura portuguesa e literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A realidade, p\u00f3s-independ\u00eancia, contribuiu para o surgimento de obras cujos personagens e cen\u00e1rios fossem pautados pelo desalento. Uma vez independente, Angola passou a sofrer com novas formas de subjuga\u00e7\u00e3o pelo poderio econ\u00f4mico, al\u00e9m da perpetua\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o social e da eclos\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. A literatura questionou n\u00e3o s\u00f3 este cen\u00e1rio, t\u00e3o diverso daquele que se imaginava, mas tamb\u00e9m as cren\u00e7as e princ\u00edpios que serviam de combust\u00edvel para o nacionalismo. Essa faceta liter\u00e1ria pode ser percebida nos seis livros, dos autores Luandino Vieira, Pepetela e Jo\u00e3o Melo de Melo, que s\u00e3o analisados por Marcelo Brand\u00e3o. O t\u00edtulo do livro da EdUERJ dialoga diretamente com A gera\u00e7\u00e3o da utopia, de Pepetela. Este, embora n\u00e3o fa\u00e7a parte do escopo da an\u00e1lise, &nbsp;\u201caponta a transi\u00e7\u00e3o entre o sonho da na\u00e7\u00e3o independente e a realidade fraturada\u201d.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>A gera\u00e7\u00e3o da distopia<\/em> tem o m\u00e9rito de procurar entender as implica\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias dessa vertente ideol\u00f3gica contempor\u00e2nea, e, com isso, observar as novas representa\u00e7\u00f5es ficcionais da angolanidade<strong>. <\/strong>O resultado aprofunda o conhecimento sobre autores que se atrevem a questionar os valores predominantes antes da independ\u00eancia, que se embasavam no nacionalismo e tamb\u00e9m em determinadas representa\u00e7\u00f5es da africanidade. A gera\u00e7\u00e3o dist\u00f3pica traz consigo esse desafio: repensar Angola e suas representa\u00e7\u00f5es sem trazer preju\u00edzo a s\u00edmbolos culturais que resistiram a imposi\u00e7\u00f5es europeias. <\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 indiscut\u00edvel que a literatura ecoe as realidades sociais de cada pa\u00eds. Autores reproduzem ang\u00fastias, anseios ou certezas, consciente ou inconscientemente, mesmo quando as obras n\u00e3o se prop\u00f5em a navegar pela pol\u00edtica ou pelo realismo. O desenvolvimento da literatura angolana \u00e9 um exemplo disso. Durante um bom tempo ela refletiu o desejo comum do pa\u00eds de se desenredar da realidade in\u00f3spita de ser uma col\u00f4nia. &nbsp;A prem\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o unia a todos, advento que ocorreu somente em 1975, com a revolu\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o a cultura e as artes mantinham-se sincronizadas com os sonhos e esperan\u00e7as de uma utopia libert\u00e1ria. 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