{"id":30091,"date":"2022-05-27T14:12:00","date_gmt":"2022-05-27T17:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=30091"},"modified":"2022-10-04T14:14:50","modified_gmt":"2022-10-04T17:14:50","slug":"representar-e-intervir-filosofia-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/representar-e-intervir-filosofia-da-ciencia\/","title":{"rendered":"Representar e intervir: filosofia da ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Lan\u00e7ado originalmente em 1983, Representar e intervir, de Ian Hacking, tornou-se um divisor de \u00e1guas em termos de estudos da filosofia da ci\u00eancia. O livro teve a primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira publicada pela EdUERJ em 2012 e, em 2021, recebeu a sua segunda tiragem. O interesse permanente pela obra decorre do magnetismo que os argumentos apresentados desencadeiam e que atingem em cheio os estudiosos da ci\u00eancia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Na publica\u00e7\u00e3o, o autor desmistifica conceitos equivocados a respeito do pensamento cient\u00edfico, tendo como norte a perspectiva da filosofia da ci\u00eancia. Hacking procura demonstrar por que a ci\u00eancia oferece o aparato necess\u00e1rio para a comprova\u00e7\u00e3o de seus sistemas. Mesmo uma teoria cuja experi\u00eancia n\u00e3o pudesse ser produzida, por conta de sua periculosidade ou dos custos de sua produ\u00e7\u00e3o, pode ser testada, \u201cde modo que seja verific\u00e1vel a sua falsidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O estudo de Hacking desenvolveu-se com o intuito de rebater algumas concep\u00e7\u00f5es que ficaram popularizadas no livro \u201cA estrutura das revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas\u201d, escrito d\u00e9cadas antes por Thomas Kuhn. &nbsp;\u201cO fato de que os cientistas s\u00e3o pessoas, e de que as sociedades cient\u00edficas s\u00e3o sociedades, por si s\u00f3, n\u00e3o coloca em d\u00favida a racionalidade cient\u00edfica\u201d, observa Hacking sobre alguns dos pontos de vista de Kuhn.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O Livro da EdUERJ se divide em duas partes, que seguem literalmente o t\u00edtulo: Representar e intervir. A &nbsp;primeira aborda as teorias e a segunda, a experimenta\u00e7\u00e3o. Hacking frisa que \u201cos experimentos t\u00eam sido por demais negligenciados pelos fil\u00f3sofos da ci\u00eancia\u201d. Em sua tarefa de mostrar a for\u00e7a do realismo cient\u00edfico, Hacking dedica um cap\u00edtulo a microsc\u00f3pios, artefato que chama de \u201cmaravilha das maravilhas\u201d. Para ele, \u201cvoc\u00ea aprende a ver em um microsc\u00f3pio fazendo e n\u00e3o apenas olhando\u201d. H\u00e1 tamb\u00e9m um segmento dedicado a&nbsp; Francis Bacon, considerado pelo autor, \u201co primeiro fil\u00f3sofo da ci\u00eancia experimental\u201d, por conta de suas metodologias, n\u00e3o obstante n\u00e3o ter feito nenhuma contribui\u00e7\u00e3o ao conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">As quest\u00f5es metaf\u00edsicas est\u00e3o presentes: \u201co que \u00e9 o mundo? O que \u00e9 a verdade? Que tipo de coisas existem no mundo?\u201d S\u00e3o indaga\u00e7\u00f5es que transitam dentro do realismo cient\u00edfico e que servem para que Hacking organize t\u00f3picos introdut\u00f3rios \u00e0 filosofia da ci\u00eancia. \u201cRepresentar e Intervir\u201d \u00e9 um comp\u00eandio de reflex\u00f5es que serve a cientistas e historiadores e fil\u00f3sofos da ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A obra, que saiu com tradu\u00e7\u00e3o de Pedro Rocha de Oliveira e revis\u00e3o t\u00e9cnica de Antonio Augusto Passos Videira, &nbsp;\u00e9 considerado um marco da origem do que se convencionou denominar \u201cfilosofia do experimento\u201d, al\u00e9m de um cl\u00e1ssico da bibliografia da filosofia da ci\u00eancia, influenciando a agenda filos\u00f3fica e as experimenta\u00e7\u00f5es cient\u00edficas posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00e3o por acaso em um cen\u00e1rio em que subitamente se veem tantas tentativas de relativizar o valor do conhecimento cient\u00edfico, esse livro continua a se impor, principalmente, pela coer\u00eancia e contund\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado originalmente em 1983, Representar e intervir, de Ian Hacking, tornou-se um divisor de \u00e1guas em termos de estudos da filosofia da ci\u00eancia. 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