{"id":36881,"date":"2024-11-04T13:11:53","date_gmt":"2024-11-04T16:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=36881"},"modified":"2024-11-05T12:05:50","modified_gmt":"2024-11-05T15:05:50","slug":"entrevista-com-ana-karla-canarinos-autora-de-alem-da-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/entrevista-com-ana-karla-canarinos-autora-de-alem-da-formacao\/","title":{"rendered":"Entrevista com Ana Karla Canarinos, autora de &#8220;Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O Blog da EdUERJ conversou com Ana Karla Canarinos, autora de Al\u00e9m da Forma\u00e7\u00e3o &#8211; teoria e cr\u00edtica liter\u00e1rias no Brasil em chave comparativa (anos 1960-1980).  O livro, cujo lan\u00e7amento ocorre na ter\u00e7a, 5 de novembro, na Livraria da EdUERJ, \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o aos estudos da cr\u00edtica liter\u00e1ria no Brasil. Canarinos \u00e9 professora de literatura brasileira da UERJ e Doutora em Teoria Liter\u00e1ria pela Unicamp.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ<\/strong>: <strong>Como surgiu a ideia central do livro Al\u00e9m da Forma\u00e7\u00e3o?\u202f\u202f&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Ana Karla<\/strong>: O tema surgiu a partir da pol\u00eamica em torno da poesia de Sous\u00e2ndrade. No mestrado, na UFPR, eu analisei a \u00e9pica <em>O Guesa<\/em>, e como a Mar\u00edlia Librandi \u2013 importante pesquisadora sousandradina \u2013 afirma, Sous\u00e2ndrade torna-se \u201cum caso\u201d na historiografia brasileira por conta da sua diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos demais poetas indianistas. Na <em>Forma\u00e7\u00e3o<\/em>, Candido localiza o poeta como um \u201cautor menor\u201d, Haroldo de Campos se contrap\u00f5e ao cr\u00edtico uspiano e escreve o \u201cRevis\u00e3o de Sous\u00e2ndrade\u201d, como uma forma de reivindicar a import\u00e2ncia do poeta. Fiquei fascinada com a pol\u00eamica, com as nuances argumentativas dos cr\u00edticos, com as distintas apropria\u00e7\u00f5es que eles fazem da teoria liter\u00e1ria e, sobretudo, com a possibilidade de perceber semelhan\u00e7a na diferen\u00e7a ou mesmo diferen\u00e7a na semelhan\u00e7a. Ao longo do trabalho, o gesto argumentativo segue exatamente este movimento, isto \u00e9, perceber semelhan\u00e7as entre cr\u00edticos aparentemente muito distintos, como Silviano Santiago e Roberto Schwarz, assim como perceber discord\u00e2ncias entre Schwarz e Antonio Candido, autores muito pr\u00f3ximos do ponto de vista institucional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;<strong>Blog da EdUERJ<\/strong>:  <strong>Dentro da perspectiva dos estudos sobre literatura, porque \u00e9 importante tamb\u00e9m pesquisar a pr\u00f3pria teoria\/cr\u00edtica liter\u00e1ria?\u202f\u202f&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Ana Karla<\/strong>: Em uma conversa informal com Nabil Ara\u00fajo, professor de teoria liter\u00e1ria do ILE-UERJ, est\u00e1vamos comentando sobre a permanente insatisfa\u00e7\u00e3o de Luiz Costa Lima com a precariedade da teoria no Brasil ao longo de sua produ\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Ent\u00e3o Nabil me disse algo interessante sobre o ato de trabalhar com hist\u00f3ria da cr\u00edtica, estudos metacr\u00edticos e metate\u00f3ricos: uma das possibilidades de fazer teoria no Brasil estaria justamente na atividade metacr\u00edtica. Vale ressaltar que Nabil pensa as possibilidades da hist\u00f3ria da cr\u00edtica e da teoria na obra tamb\u00e9m publicada pela EdUERJ, <em>Teoria da literatura e hist\u00f3ria da cr\u00edtica: momentos decisivos. <\/em>Ou seja, as diferentes abordagens que os quatro cr\u00edticos fazem do estruturalismo, por exemplo, apontam para diferentes leituras do mesmo te\u00f3rico, e ao historicizar e fazer uma metacr\u00edtica desse problema sincr\u00f4nico, de alguma maneira, alguma teoria sai disso. Seja especificamente de um autor, uma vez que a compara\u00e7\u00e3o permite elucidar melhor o ponto de vista individual, seja pela tentativa de detectar uma esp\u00e9cie de <em>modus operandi <\/em>da cr\u00edtica nacional. O caso \u201cL\u00e9vi-Strauss\u201d ilustra isso que estou afirmando. Merquior, em <em>A est\u00e9tica de L\u00e9vi-Strauss<\/em>, faz uma leitura da antropologia l\u00e9vi-strausseana mapeando seus pontos de contato com a sociedade, atrav\u00e9s do conceito de significante flutuante. Em contrapartida, Luiz Costa Lima, em <em>O estruturalismo de L\u00e9vi-Strauss<\/em> (1968), salienta a interface do antrop\u00f3logo franc\u00eas com a lingu\u00edstica na cria\u00e7\u00e3o da antropologia estrutural, ou seja, uma an\u00e1lise que n\u00e3o busca fazer uma ponte entre a estrutura e a sociedade. Sob este aspecto, podemos destacar pelo menos dois L\u00e9vi-Strauss na cr\u00edtica liter\u00e1ria brasileira da d\u00e9cada de 1970, duas formas distintas de devora\u00e7\u00e3o da teoria francesa. Essas diferen\u00e7as ganham contornos ainda mais complexos quando relacionadas ao contexto hist\u00f3rico de Ditadura Militar, \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o dos cursos de Letras da USP, com a viagem ao Brasil de diferentes intelectuais franceses \u2013 entre eles L\u00e9vi-Strauss &#8211; e a amplia\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, com o nacional desenvolvimentismo e com a chegada de diferentes teorias: estruturalismo, p\u00f3s-estruturalismo, desconstru\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-colonialismo, est\u00e9tica da recep\u00e7\u00e3o, est\u00e9tica do efeito, marxismo e etc. Eu diria que a import\u00e2ncia de estudar teoria\/cr\u00edtica liter\u00e1ria est\u00e1 em pelo menos tr\u00eas \u00e2mbitos: 1) na possibilidade de fazermos Teoria pela via da metacr\u00edtica; 2) na compreens\u00e3o do campo universit\u00e1rio brasileiro; 3) na interface entre a teoria liter\u00e1ria e a literatura brasileira.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;<strong>Blog da EdUERJ<\/strong>:  <strong>O livro analisa as perspectivas de quatro cr\u00edticos brasileiros, Roberto Schwarz. Luiz Costa Lima, Jos\u00e9 Guilherme Merquior e Silviano Santiago. Gostaria que comentasse o processo que levou \u00e0 escolha desses nomes.\u202f&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Ana Karla<\/strong>: A escolha surgiu pelo mapeamento do campo intelectual nacional. Schwarz \u00e9 um dos cr\u00edticos liter\u00e1rios marxistas mais importantes do pa\u00eds, muito lido e discutido nas universidades estaduais paulistas, como a USP e a Unicamp. Por outro lado, Silviano Santiago, outro cr\u00edtico de enorme import\u00e2ncia e que teve outra interlocu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. O autor foi o primeiro cr\u00edtico a escrever sobre Jacques Derrida no Brasil, em <em>Gloss\u00e1rio de Derrida<\/em>, e ainda que pouco ou nada lido nas universidades de S\u00e3o Paulo, encontrou seu espa\u00e7o em outras universidades brasileiras. Luiz Costa Lima, o mais te\u00f3rico de todos, inicia sua carreira mantendo uma interlocu\u00e7\u00e3o forte com o estruturalismo, e posteriormente envereda para os estudos da m\u00edmesis atrav\u00e9s de uma interlocu\u00e7\u00e3o com a Est\u00e9tica do Efeito. O autor tamb\u00e9m \u00e9 muito pouco lido em S\u00e3o Paulo e encontra maior resson\u00e2ncia no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Finalmente, Jos\u00e9 Guilherme Merquior, autor pouqu\u00edssimo lido na universidade brasileira, de direita, e que sempre esteve fora do eixo acad\u00eamico. Apesar da produ\u00e7\u00e3o imensa de Merquior, hoje reeditada pela Editora \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es sob a supervis\u00e3o do professor de literatura comparada da UERJ, Jo\u00e3o C\u00e9zar de Castro Rocha, o autor segue marginal nas universidades, justamente pelo seu tom polemista, conservador e anti-te\u00f3rico, em alguma medida. Hoje, se eu pudesse incluir outro autor, escolheria tamb\u00e9m Haroldo de Campos. Acho que a rela\u00e7\u00e3o que ele mant\u00e9m com a obra de Derrida \u00e9 completamente diferente da desenvolvida por Silviano Santiago. De toda forma, acho que os quatro cr\u00edticos resumem, em alguma medida, as linhas de for\u00e7a da cr\u00edtica liter\u00e1ria brasileira entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980. Certamente, todos eles, em alguma medida, mantiveram uma forte interlocu\u00e7\u00e3o com Antonio Candido e a <em>Forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira<\/em>, seja pelo vi\u00e9s do elogio ou da ruptura.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;<strong>Blog da EdUERJ:  \u201cAl\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o\u201d enfoca formas de rela\u00e7\u00e3o (de aproxima\u00e7\u00e3o ou distanciamento) desses cr\u00edticos citados com a obra do Antonio Candido, Forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira. Por que essa obra causou tanto impacto?\u202f\u202f&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Ana Karla<\/strong>: A <em>Forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira<\/em>, de Antonio Candido, foi um marco na historiografia nacional, considerando a passagem do cr\u00edtico de rodap\u00e9 para o scholar e na import\u00e2ncia que a an\u00e1lise liter\u00e1ria &#8211; a leitura cerrada &#8211; ganha na sua hist\u00f3ria liter\u00e1ria. A narrativa que ele desenvolve na <em>Forma\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 hoje j\u00e1 revista por diversos professores. como o trabalho da professora da UFF, Anita de Moraes, em <em>Para al\u00e9m das palavras: representa\u00e7\u00e3o e realidade em Antonio Candido<\/em> e <em>Contornos humanos: primitivos, r\u00fasticos e civilizados em Antonio Candido<\/em>, e da professora da UERJ, Carolina Correia, atrav\u00e9s da sua cr\u00edtica sobre Guimar\u00e3es Rosa, em <em>Jaguaretama: o mundo impercept\u00edvel em meu tio Iauaret\u00ea<\/em> \u2013 atribui uma maior import\u00e2ncia \u00e0 cr\u00edtica liter\u00e1ria, aos elementos internos, o que n\u00e3o \u00e9 pouca coisa para o momento. Para al\u00e9m disso, a forma\u00e7\u00e3o do curso de letras da USP e de diversas outras universidades brasileiras foi pensada a partir da perspectiva de Antonio Candido, ent\u00e3o ademais da sua import\u00e2ncia enquanto historiador da literatura, ele tamb\u00e9m teve um lugar relevante na constitui\u00e7\u00e3o do campo institucional dos estudos liter\u00e1rios no pa\u00eds. Candido tamb\u00e9m orientou diversos intelectuais, de maneira muito generosa, como foi o caso de Luiz Costa Lima, que defendeu sua tese <em>Estruturalismo e Teoria da Literatura<\/em> sob a orienta\u00e7\u00e3o de Candido, ainda que sua obra se afaste em grande medida dos pressupostos da <em>Forma\u00e7\u00e3o<\/em>. H\u00e1 in\u00fameros relatos memorial\u00edsticos de ex-orientandos e colegas do autor, que destacam o grande professor que Antonio Candido foi para os seus alunos. Considerando o ponto de inflex\u00e3o que a sua obra fundamental significou para os estudos liter\u00e1rios e o peso institucional advindo com a forma\u00e7\u00e3o de diversos cursos de letras no Brasil, Candido torna-se uma figura incontorn\u00e1vel para os cr\u00edticos liter\u00e1rios da d\u00e9cada 1970 e 1980. Todos eles, direta ou indiretamente v\u00e3o se voltar para sua obra, seja para critic\u00e1-la ou para estabelecer uma tentativa de continuidade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;<br><strong>Blog da EdUERJ:  Existe uma caracter\u00edstica mais marcante da cr\u00edtica liter\u00e1ria entre 1960 e 1980, \u00e9poca marcada pela ditadura militar? Os estudos liter\u00e1rios chegaram a ser afetados por processos inerentes \u00e0 ditadura, como a censura?\u202f&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>\u202fAna Karla<\/strong>: Eu diria que um dos pontos mais marcantes dessa cr\u00edtica \u00e9 o esp\u00edrito polemista, algo que se perdeu na cr\u00edtica acad\u00eamica do s\u00e9culo XXI. A universidade e a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o se consolidam nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, entretanto hoje a universidade e os programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda maiores e em maior n\u00famero. Na d\u00e9cada de 1970, os autores de fato se liam, discutiam os mesmos assuntos, muitas vezes de forma autorit\u00e1ria, e isso fomentava a pol\u00eamica. De fato, os embates calorosos est\u00e3o presentes na cr\u00edtica liter\u00e1ria brasileira desde o XIX, mas com o desenvolvimento universit\u00e1rio e a consolida\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica acad\u00eamica no p\u00f3s-<em>Forma\u00e7\u00e3o<\/em>, a pol\u00eamica atinge um ponto inclusive institucional entre as universidades. Por exemplo: a Puc-SP \u2013 com os concretos &#8211; e a Usp \u2013 com Candido, ou entre a Usp e a Uerj, com Luiz Costa Lima. Outro exemplo de disputas \u00e9 em torno do \u201clugar das ideias\u201d no Brasil. Silviano Santiago escreve \u201cO entrelugar do discurso latino-americano\u201d e Schwarz escreve \u201cAs ideias fora de lugar\u201d. Maria Sylvia de Carvalho Franco, professora de filosofia da Usp, ir\u00e1 entrar na quest\u00e3o e publicar \u201cAs ideias est\u00e3o no lugar\u201d. H\u00e1 um campo em disputa entre o dentro, o fora e o entre, o que \u00e9 extremamente produtivo. Os embates surgem justamente da leitura do campo te\u00f3rico inimigo e na busca pela interlocu\u00e7\u00e3o. Outra pol\u00eamica interessante \u00e9 o impasse em torno do estruturalismo, em que diversos cr\u00edticos se posicionar\u00e3o a favor ou contra a teoria liter\u00e1ria. Luiz Costa Lima e Silviano Santiago ser\u00e3o mais abertos \u00e0 teoria, com diversas nuances e particularidades que eu tenho mediar no livro. Merquior e Schwarz restar\u00e3o mais cautelosos \u00e0 teoria liter\u00e1ria, ainda que Schwarz seja um dos maiores marxistas brasileiros e Merquior tenha escrito diversos livros sobre teoria, sempre com um vi\u00e9s de cr\u00edtica mordaz. Na universidade do s\u00e9culo XXI os temas s\u00e3o muito mais diversos, o que \u00e9 \u00f3timo. Entretanto, muitas vezes somos lidos apenas por aqueles que apresentam a mesma perspectiva te\u00f3rica ou estudam o mesmo tema, fazendo com que o campo perca esse \u201cacirramento\u201d ou essa \u201cdisputa\u201d calorosa da d\u00e9cada de 1970. Se, por um lado, isso muitas vezes reca\u00eda num autoritarismo te\u00f3rico em que a universidade que l\u00ea A n\u00e3o pode gostar do cr\u00edtico B, tamb\u00e9m n\u00e3o se corria o risco de neutralizar o objeto liter\u00e1rio ao s\u00f3 ler e conversar com os pesquisadores que pensam de maneira semelhante. Ou seja, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, a pol\u00eamica, atrelada ao contexto ditatorial, tem como consequ\u00eancia leituras distintas do mesmo objeto, ou mesmo fortes embates te\u00f3ricos, que por vezes geram o autoritarismo e a configura\u00e7\u00e3o do campo institucional dos estudos liter\u00e1rios que permanece como vest\u00edgio at\u00e9 hoje: universidades mais uspianas leem muito Antonio Candido e Roberto Schwarz, universidades menos uspianas, leem mais Luiz Costa Lima e Silviano Santiago.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sobre a segunda pergunta, sim, a cr\u00edtica liter\u00e1ria foi afetada. A pol\u00eamica do estruturalismo \u00e9 um exemplo disso. Alguns intelectuais de esquerda, como Carlos Nelson Coutinho, condenaram os adeptos do estruturalismo no momento da Ditadura Militar, como se ser estruturalista significasse ser conservador e de direita por n\u00e3o seguir uma an\u00e1lise dial\u00e9tica. Sob este aspecto, os \u00e2nimos ficaram mais alterados e a recep\u00e7\u00e3o do estruturalismo sofreu os efeitos da censura. Cria-se no pa\u00eds uma ideia de que aderir a uma an\u00e1lise estrutural da obra torna o te\u00f3rico alienado diante da viol\u00eancia e da repress\u00e3o. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de despolitiza\u00e7\u00e3o do estruturalismo, que em parte, pode ser justificada pela Ditadura Militar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;<br><strong>Blog da EdUERJ: Por fim, a quem voc\u00ea indica a leitura de Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o &#8211; teoria e cr\u00edtica liter\u00e1rias no Brasil em chave comparativa (anos 1960-1980)?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Ana Karla<\/strong>: Eu indico para todos os estudantes ou pesquisadores que desejem ter um panorama da cr\u00edtica liter\u00e1ria nacional.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Blog da EdUERJ conversou com Ana Karla Canarinos, autora de Al\u00e9m da Forma\u00e7\u00e3o &#8211; teoria e cr\u00edtica liter\u00e1rias no Brasil em chave comparativa (anos 1960-1980). O livro, cujo lan\u00e7amento ocorre na ter\u00e7a, 5 de novembro, na Livraria da EdUERJ, \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o aos estudos da cr\u00edtica liter\u00e1ria no Brasil. Canarinos \u00e9 professora de literatura brasileira da UERJ e Doutora em Teoria Liter\u00e1ria pela Unicamp. Blog da EdUERJ: Como surgiu a ideia central do livro Al\u00e9m da Forma\u00e7\u00e3o?\u202f\u202f&nbsp; Ana Karla: O tema surgiu a partir da pol\u00eamica em torno da poesia de Sous\u00e2ndrade. 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