{"id":37209,"date":"2024-12-11T13:04:53","date_gmt":"2024-12-11T16:04:53","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=37209"},"modified":"2024-12-11T13:10:48","modified_gmt":"2024-12-11T16:10:48","slug":"entrevista-com-flavio-carneiro-autor-de-a-ficcao-falsa-e-outros-ensaios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/entrevista-com-flavio-carneiro-autor-de-a-ficcao-falsa-e-outros-ensaios\/","title":{"rendered":"Entrevista com Fl\u00e1vio Carneiro, autor de &#8220;A fic\u00e7\u00e3o falsa e outros ensaios&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O Blog da EdUERJ conversou com o professor Fl\u00e1vio Carneio, autor de &#8220;A Fic\u00e7\u00e3o Falsa e outros ensaios&#8221;, publicado pela Editora da UERJ em 2024. Fl\u00e1vio \u00e9 doutor em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e professor titular de Literatura Brasileira na UERJ. Al\u00e9m disso, tem uma consolidada trajet\u00f3ria como escritor de fic\u00e7\u00e3o, tendo recebido os pr\u00eamios Jabuti nas categorias infantojuvenil e cr\u00f4nicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ:  &#8220;A Fic\u00e7\u00e3o falsa e outros ensaios&#8221; passeia por temas do universo da literatura e&nbsp; traz reflex\u00f5es sobre autores como Murilo Rubi\u00e3o, Machado de Assis, Rubem Fonseca e S\u00e9rgio Sant\u2019Anna, entre outros.&nbsp;&nbsp;Qual foi o conceito que norteou a escolha dos ensaios para o livro? &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00e3o houve apenas um conceito. Pensei, primeiro, em reunir em livro ensaios que de algum modo pudessem marcar uma trajet\u00f3ria, a minha hist\u00f3ria como algu\u00e9m que decidiu se dedicar a escrever literatura e a escrever sobre leitura. Toda escrita, ficcional ou ensa\u00edstico, \u00e9 uma esp\u00e9cie de autobiografia. Da\u00ed ter reunido ensaios publicados entre o in\u00edcio dos anos 1990 e a atualidade. Quis construir parte da minha na escolha dos ensaios. Outro crit\u00e9rio foi trabalhar apenas com ensaios sobre narrativas, que \u00e9 meu campo de atua\u00e7\u00e3o (um deles fala de um filme, que tamb\u00e9m \u00e9 uma forma narrativa).&nbsp; H\u00e1 outros, mas estes talvez tenham sido os mais relevantes. E acrescento que, depois de reunir os ensaios, reescrevi todos (pequenas altera\u00e7\u00f5es, mas significativas), pensando no livro como um todo&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Um dos textos traz uma refer\u00eancia \u00e0 leitura, fazendo um paralelo entre a tarefa do leitor e a de um investigador. A possibilidade m\u00faltipla de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma premissa da literatura de qualidade?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sim, sem d\u00favida. O texto liter\u00e1rio deve ser, sempre, um convite ao leitor, \u00e0 sua imagina\u00e7\u00e3o, \u00e0 sua capacidade de criar sentidos poss\u00edveis, a partir do que o escritor colocou no papel. \u00c9, ali\u00e1s, um direito do leitor, ter espa\u00e7os simb\u00f3licos para preencher na p\u00e1gina escrita. O texto ficcional que n\u00e3o faz isso n\u00e3o merece o leitor, ou, pelo menos, o leitor cr\u00edtico e inventivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: O ensaio A fic\u00e7\u00e3o falsa alude a textos que j\u00e1 nascem comprometidos com uma finalidade \u00fanica de convencer o leitor de uma verdade predeterminada. A fic\u00e7\u00e3o falsa \u00e9 um conceito que se refere a material de autoajuda e livros de religi\u00e3o, ou pode tamb\u00e9m remeter a outras formas de cria\u00e7\u00e3o?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Pode remeter a qualquer forma narrativa, inclusive art\u00edstica. Pode haver fic\u00e7\u00e3o falsa num filme, numa pe\u00e7a de teatro, num romance. Na literatura para crian\u00e7as e jovens, por exemplo, \u00e9 comum encontrarmos esse tipo de fic\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o respeita o direito do leitor, o direito de inventar. E justo o leitor que mais tem propens\u00e3o a isso, a crian\u00e7a ou o jovem.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ<\/strong>: <strong>O seu olhar sobre a literatura contempor\u00e2nea brasileira aponta que ela se afastou da postura mais radical que resultava da opress\u00e3o da \u00e9poca da ditadura militar e, gradualmente, passa a dialogar mais com as novas possibilidades midi\u00e1ticas, sem a relut\u00e2ncia de outrora. Mas, hoje, apesar das novas possibilidades de exposi\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o liter\u00e1rias, ficamos sabendo recentemente, pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que houve uma significativa redu\u00e7\u00e3o de leitores no pa\u00eds. Como professor de literatura e escritor, o que voc\u00ea acha que seria poss\u00edvel fazer para reverter essa tend\u00eancia?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A pergunta \u00e9 boa, claro, mas a resposta n\u00e3o caberia aqui. S\u00e3o v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es a serem tomadas. Nos anos 1990, participei da primeira equipe do PROLER \u2013 Programa Nacional de Leitura \u2013, criado pela Eliana Yunes e vinculado \u00e0 Biblioteca Nacional, na gest\u00e3o do Affonso Romano de Sant\u2019Anna. J\u00e1 naquela \u00e9poca estava claro para todos n\u00f3s, do Programa, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reverter uma situa\u00e7\u00e3o assim sem uma pol\u00edtica governamental realmente empenhada nisso. Claro, todas as iniciativas s\u00e3o bem-vindas, mas sem vontade pol\u00edtica, sem investimentos a curto, m\u00e9dio e longo prazo, nada vai funcionar plenamente. \u00c9&nbsp; preciso que se crie uma rede de a\u00e7\u00f5es que envolva o pa\u00eds inteiro, com participa\u00e7\u00e3o de todos os setores e com apoio pol\u00edtico, financeiro, log\u00edstico. Ideias n\u00e3o faltam, pode ter certeza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ<\/strong> : <strong>\u00c9 preciso ressaltar que \u201cA fic\u00e7\u00e3o falsa e outros ensaios\u201d funciona indiretamente tamb\u00e9m como um est\u00edmulo para que o leitor procure os autores e livros analisados. Este era um dos objetivos da obra?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Tenho um princ\u00edpio que mantenho desde sempre, mesmo quando colaborava regularmente com grandes suplementos liter\u00e1rios, como os do Globo e Jornal do Brasil e tinha como fun\u00e7\u00e3o apresentar aos leitores obras de fic\u00e7\u00e3o brasileira rec\u00e9m-lan\u00e7adas: s\u00f3 escrevo sobre livros que considero bons, livros que eu gostaria que o leitor do meu ensaio lesse.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O tempo \u00e9 curto, o de todos n\u00f3s, mas estou falando aqui do meu mesmo. Meu tempo \u00e9 curto e n\u00e3o vou desperdic\u00e1-lo falando de um livro ruim.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o ensaio sobre literatura \u00e9 uma parceria, uma parceria do escritor com o ensa\u00edsta e, sem d\u00favida, com o leitor. O ensa\u00edsta \u00e9 algu\u00e9m que, depois de ler um romance, por exemplo, pensa: tenho alguma coisa a dizer sobre esse romance que n\u00e3o foi dita ainda. E ent\u00e3o parte para a aventura de escrever sobre a escrita, num gesto que tamb\u00e9m envolve o desejo de compartilhar o prazer da leitura do romance, convidando o leitor do ensaio a tamb\u00e9m embarcar na aventura. Se o romance for ruim, o ensa\u00edsta n\u00e3o vai se divertir, n\u00e3o vai sentir prazer, e, obviamente, seu leitor tamb\u00e9m n\u00e3o. Nesse caso, para que perder seu tempo escrevendo?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Por fim, a quem voc\u00ea indicaria a leitura do livro?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A todos que gostem de ler fic\u00e7\u00e3o. A aut\u00eantica, bem entendido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ<\/strong>: <strong>Aproveitamos para convidar nossos leitores para o lan\u00e7amento de  \u201cA Fic\u00e7\u00e3o falsa e outros ensaios\u201d&nbsp;na ter\u00e7a-feira, 17 de dezembro, \u00e0s 17h, na Livraria da EdUERJ, no  campus Maracan\u00e3 da UERJ.&nbsp;Haver\u00e1 uma mesa com a presen\u00e7a do autor e tamb\u00e9m do professor Gustavo Bernardo, editor executivo da EdUERJ. Na ocasi\u00e3o, haver\u00e1 a leitura de trechos do livro e uma conversa sobre literatura. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Arte: Fernanda Brado, foto: Maria Carneiro, pauta da entrevista: Ricardo Zentgraf<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Blog da EdUERJ conversou com o professor Fl\u00e1vio Carneio, autor de &#8220;A Fic\u00e7\u00e3o Falsa e outros ensaios&#8221;, publicado pela Editora da UERJ em 2024. Fl\u00e1vio \u00e9 doutor em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e professor titular de Literatura Brasileira na UERJ. Al\u00e9m disso, tem uma consolidada trajet\u00f3ria como escritor de fic\u00e7\u00e3o, tendo recebido os pr\u00eamios Jabuti nas categorias infantojuvenil e cr\u00f4nicas.&nbsp; Blog da EdUERJ: &#8220;A Fic\u00e7\u00e3o falsa e outros ensaios&#8221; passeia por temas do universo da literatura e&nbsp; traz reflex\u00f5es sobre autores como Murilo Rubi\u00e3o, Machado de Assis, Rubem Fonseca e S\u00e9rgio Sant\u2019Anna, entre outros.&nbsp;&nbsp;Qual foi o conceito que norteou\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":37210,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"editor_plus_post_options":"{}","editor_plus_copied_stylings":"{}","footnotes":""},"categories":[202],"tags":[4413,4414,787,548,3015],"class_list":["post-37209","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-a-ficcao-falsa","tag-flavio-carneiro","tag-gustavo-bernardo","tag-letras","tag-literaturas-da-floresta"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":5}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37209"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37218,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37209\/revisions\/37218"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}