{"id":38165,"date":"2025-05-08T15:07:30","date_gmt":"2025-05-08T18:07:30","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=38165"},"modified":"2025-05-08T15:07:31","modified_gmt":"2025-05-08T18:07:31","slug":"laura-navallo-fala-sobre-as-politicas-culturais-e-os-festivais-de-danca-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/laura-navallo-fala-sobre-as-politicas-culturais-e-os-festivais-de-danca-no-brasil\/","title":{"rendered":"Laura Navallo fala sobre as pol\u00edticas culturais e os festivais de dan\u00e7a no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>O Blog da EdUERJ entrevistou a antrop\u00f3loga Laura Navallo, autora do livro \u201cArmazenando utopias: dan\u00e7a, festivais e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil\u201d, dispon\u00edvel em formato digital e impresso (sob demanda). Ela comentou sobre as pol\u00edticas culturais e como elas afetam o cen\u00e1rio da dan\u00e7a contempor\u00e2nea no Brasil. A entrevista foi concedida &#8211; e traduzida &#8211; por La\u00eds Barreto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: O que a inspirou a investigar os festivais de dan\u00e7a e, mais especificamente, o Festival Panorama (Rio de Janeiro, 1992) e a Bienal Internacional de Dan\u00e7a do Cear\u00e1 (1997)?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o com eventos culturais ou, como podemos dizer, festivais, tem uma trajet\u00f3ria um pouco maior e se relaciona \u00e0s minhas preocupa\u00e7\u00f5es de pesquisa vinculadas ao interesse por compreender as maneiras em que se fazem e materializam &#8220;pol\u00edticas culturais&#8221; em um sentido amplo. Tento me distanciar da ideia de que uma pol\u00edtica, cultural neste caso, pertence e faz parte exclusivamente das incumb\u00eancias do Estado. Pelo contr\u00e1rio, descobri que muitas vezes essas pol\u00edticas s\u00e3o geradas e propostas por atores da chamada &#8220;sociedade civil&#8221;, especificamente associa\u00e7\u00f5es civis ou simplesmente um grupo de amigos que, com o tempo, se constituiu em uma associa\u00e7\u00e3o (pois isso permite captar recursos e entrar em articula\u00e7\u00e3o com os \u00f3rg\u00e3os do Estado de maneira particular).<br>O &#8220;festival&#8221; \u00e9 um prisma que me permite compreender quem s\u00e3o os distintos agentes sociais que est\u00e3o produzindo o evento (em termos de produ\u00e7\u00e3o\/gest\u00e3o cultural) e como ele est\u00e1 sendo feito e criado (tanto quanto \u00e0 curadoria como em sua dimens\u00e3o art\u00edstica). Para que um festival aconte\u00e7a, um grande n\u00famero de pessoas est\u00e1 envolvida, articulando l\u00f3gicas bem diferentes entre si (burocracia e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, Estado, presta\u00e7\u00e3o de contas, cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, p\u00fablico, log\u00edstica, etc.).<br>Acredito que toda pesquisa, al\u00e9m dos interesses anal\u00edticos, tamb\u00e9m nos interpela em uma dimens\u00e3o afetiva e particular. Cheguei ao Festival Panorama (ainda se chamava Festival Panorama de Dan\u00e7a) porque morava no Rio de Janeiro. Eu havia me mudado para fazer minha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia (mestrado e doutorado), gostava de dan\u00e7a contempor\u00e2nea e, enquanto morava na Argentina, fazia aulas regulares. Comecei participando do festival como p\u00fablico. Para o doutorado, queria estudar outros processos e, como mencionei, achei que esse evento dava continuidade \u00e0s minhas preocupa\u00e7\u00f5es anal\u00edticas da gradua\u00e7\u00e3o e do mestrado (eu havia estudado um evento chamado &#8220;Abril Cultural Salte\u00f1o&#8221; [Salta, Argentina] que acontece desde 1976).<br>O processo de pesquisa tamb\u00e9m nos reorienta e nos leva a redefinir objetivos e abordagens. O Festival Panorama fazia parte de um circuito de festivais. Eu teria adorado poder estudar os quatro festivais, mas isso era pouco vi\u00e1vel, pois aconteciam mais ou menos no mesmo per\u00edodo de tempo \u2013 as formas de organiza\u00e7\u00e3o e as trajet\u00f3rias dos festivais respondem a hist\u00f3rias locais singulares. Tamb\u00e9m faz parte da viabilidade da pesquisa o tempo destinado ao trabalho de campo e os recursos com os quais realiz\u00e1-lo, afinal, essas dimens\u00f5es tamb\u00e9m definem nosso universo de an\u00e1lise. Essas raz\u00f5es me fizeram escolher onde colocar o foco para estabelecer um contraponto entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: O que foi mais marcante ao acompanhar esses festivais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Acredito que o mais marcante foi o grau de cr\u00edtica e posicionamento reflexivo de bailarinos, gestores e do p\u00fablico que acompanhava, tanto nos processos de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas para a dan\u00e7a e ao que se buscava gerar para o setor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Quais foram os principais desafios enfrentados na elabora\u00e7\u00e3o da etnografia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Durante a pesquisa, foi um grande desafio me inserir. Era um universo estranho em muitas dimens\u00f5es e implicou criar v\u00ednculos com as pessoas do mundo da dan\u00e7a, que, em sua maioria, foram muito gentis, se interessaram pelo que eu estava fazendo e se disponibilizaram generosamente para a pesquisa. Outro grande desafio foi explicar um pa\u00eds que eu estava conhecendo e um processo de organiza\u00e7\u00e3o da &#8220;classe da dan\u00e7a&#8221; que teve uma caracter\u00edstica sociohist\u00f3rica muito particular. Na \u00e9poca em que ocorreram no Brasil, os processos de organiza\u00e7\u00e3o coletiva da dan\u00e7a na Argentina nem se vislumbravam. Era explicar um fen\u00f4meno local com as singularidades hist\u00f3ricas que ele significava.<br>Os processos de conquista, coloniza\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia configuraram nossas sociedades e deram origem a racionalidades estatais concretas. Ent\u00e3o, foi um desafio compreender determinados acontecimentos hist\u00f3ricos, como, por exemplo, a relev\u00e2ncia da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, que \u00e9 um marco importante de reconhecimento de direitos, onde a dimens\u00e3o cultural adquire conota\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, representando uma amplia\u00e7\u00e3o da cidadania. Embora n\u00e3o seja a &#8220;origem&#8221; de um Minist\u00e9rio da Cultura, adquire outro sentido e significado se o colocarmos em perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Comente o t\u00edtulo que d\u00e1 nome \u00e0 obra, &#8220;Armazenando utopias: dan\u00e7a, festivais e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A escrita deste livro aconteceu em um momento cr\u00edtico para as pol\u00edticas culturais e a cultura, em que estava sendo destru\u00eddo algo que levou mais de duas d\u00e9cadas para ser constru\u00eddo. Eu havia presenciado e acompanhado o esplendor da maquinaria estatal destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural, os festivais mostravam esse apogeu, as inaugura\u00e7\u00f5es brilhavam e nelas se percebia o orgulho de poder realizar o evento. Esse esplendor n\u00e3o se refere apenas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, que de fato s\u00e3o um fator fundamental. Refiro-me \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de possibilidade que a estrutura do Estado permitia, como contar com um minist\u00e9rio, departamentos e secretarias de cultura, leis de incentivo (federais, estaduais, municipais), parcerias p\u00fablico-privadas, articula\u00e7\u00f5es com diferentes pa\u00edses, colabora\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, esperan\u00e7as e sonhos de artistas, p\u00fablico e gestores. &#8220;Dan\u00e7a, festivais e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil&#8221; conta esse processo e narra essas rela\u00e7\u00f5es sociais. &#8220;Armazenando utopias&#8221; busca nomear poeticamente as pr\u00e1ticas sociais que &#8220;armazenam mem\u00f3rias&#8221; do que foi feito e como pot\u00eancia de um futuro. Por isso, este livro est\u00e1 dedicado a todas as pessoas que sustentaram e tornaram essas pol\u00edticas poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Na introdu\u00e7\u00e3o do livro, voc\u00ea comenta as condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-hist\u00f3ricas que viabilizaram a pesquisa etnogr\u00e1fica. Entre os pontos destacados, est\u00e3o as pol\u00edticas para a dan\u00e7a no Brasil entre finais do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, que eram vistas como &#8220;o ideal a ser seguido&#8221; na Am\u00e9rica Latina. Como voc\u00ea enxerga as mudan\u00e7as nas pol\u00edticas de incentivo \u00e0 cultura nos \u00faltimos quinze anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Como mencionei anteriormente, o Brasil era uma refer\u00eancia em pol\u00edticas culturais na Am\u00e9rica Latina, contava com uma estrutura estatal que sustentava a promo\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas culturais. Ainda mais paradigm\u00e1tico era o fato de haver pol\u00edticas voltadas estritamente para o setor da dan\u00e7a, e isso se deu porque a &#8220;classe&#8221; teve que &#8220;se organizar&#8221;. Essa foi uma frase c\u00e9lebre dita por um ministro (&#8220;a classe precisa se organizar&#8221;) e deu origem \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do setor da dan\u00e7a. Aquela conquista se sustentou por muito tempo no Brasil, at\u00e9 que houve uma troca de presid\u00eancia e a decis\u00e3o pol\u00edtica foi pela destrui\u00e7\u00e3o ou, quando n\u00e3o, pelo uso da estrutura do Estado e do fomento \u00e0 cultura para outros fins.<br>De forma geral, poder\u00edamos dizer que desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, o campo cultural adquiriu outro lugar nas pol\u00edticas p\u00fablicas, n\u00e3o apenas aquelas que t\u00eam como &#8220;objeto&#8221; a cultura. As transforma\u00e7\u00f5es sociais e capitalistas contempor\u00e2neas permitiram conceber diferentes dimens\u00f5es do social em termos culturais. Como diria George Y\u00fadice, a cultura se tornou um recurso. Em termos anal\u00edticos, consistiria em analisar como opera o que se entende por cultura em cada contexto hist\u00f3rico-social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Voc\u00ea comenta que a Argentina, seu pa\u00eds de origem, tamb\u00e9m viveu o \u00e1pice do fomento \u00e0 \u00e1rea da cultura durante esse per\u00edodo. \u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar paralelos entre as diretrizes de pol\u00edticas p\u00fablicas para o campo da cultura nos dois pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Seria um pouco arriscado faz\u00ea-lo, pois facilmente poder\u00edamos cair em quest\u00f5es partid\u00e1rias e falta de rigor anal\u00edtico. O que \u00e9 evidente, e podemos dizer isso tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a distintos momentos hist\u00f3ricos (e \u00e9 isso que precisamos explicar), \u00e9 o lugar pol\u00edtico que a cultura ocupa em nossas sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Na pesquisa foram contemplados os processos que envolvem conceber, gerir e estar no festival. Esses eventos que, \u00e0 primeira vista, parecem envolver per\u00edodos curtos de at\u00e9 15 dias, na verdade, mobilizam um ano inteiro de trabalhos, como analisa Antonio Carlos de Souza no pref\u00e1cio ao livro. Nesse sentido, os festivais podem ser lidos como pr\u00e1ticas cont\u00ednuas de constru\u00e7\u00e3o de comunidades e de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Com certeza, o que n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio. A dan\u00e7a como manifesta\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica existe al\u00e9m e independentemente dos 15 dias que pode durar um evento. A dan\u00e7a como objeto de uma pol\u00edtica p\u00fablica exige seu reconhecimento como tal e pressup\u00f5e uma popula\u00e7\u00e3o que a realiza ou que est\u00e1 envolvida. Esse reconhecimento n\u00e3o \u00e9 apenas estatal, mas envolve diversos agentes sociais. Por sua vez, essa comunidade, setor ou popula\u00e7\u00e3o precisa se sustentar e se constituir de forma constante como &#8220;setor&#8221; e ator pol\u00edtico, e requer o reconhecimento social.<br>O festival tem permitido esse trabalho social de constru\u00e7\u00e3o, que ao mesmo tempo implica a realiza\u00e7\u00e3o de outro ator, o gestor ou a gestora cultural. A dan\u00e7a e a gest\u00e3o se entrela\u00e7am, nesse caso. A gest\u00e3o cultural \u00e9 uma atividade social produtiva diferenciada de outros trabalhos. Ent\u00e3o, ambas as atividades se reproduzem, se constituem e s\u00e3o percebidas como comunidade em um processo cont\u00ednuo, e por isso excede o tempo que dura o festival.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: No pen\u00faltimo cap\u00edtulo, ao tratar da Corporatiza\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica governamental a partir de experi\u00eancias educativas como a aula de Marechal Hermes e a ocupa\u00e7\u00e3o do Teatro Cacilda Becker, voc\u00ea comenta que \u201ca dan\u00e7a contempor\u00e2nea se fez e foi concebida\u201d. Voc\u00ea pode explicar essa dimens\u00e3o da dan\u00e7a contempor\u00e2nea enquanto uma pr\u00e1tica que ultrapassa os contornos da est\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Isso se relaciona um pouco com o que foi dito na pergunta anterior. Essa &#8220;dan\u00e7a&#8221; pressup\u00f5e gest\u00e3o, bailarinos, p\u00fablico, Estado. Corporifica uma pol\u00edtica governamental porque n\u00e3o se trata de um estilo ou de uma est\u00e9tica pr\u00e9 definida de antem\u00e3o, mas do que ali \u2013 no tempo e no espa\u00e7o \u2013 est\u00e1 sendo concebido como aquilo que se enuncia, em sua dimens\u00e3o performativa. Tanto o corpo e os movimentos quanto os enunciados performatizam uma pol\u00edtica. A performance social que ocorre nesse momento confere significado ao que ali se concebe como &#8216;contempor\u00e2neo&#8217;. Toda a maquinaria estatal de gest\u00e3o ganha corpo nesse momento, se atualiza nessa (ou em outras) performance(s) social(is).<br>Nesse sentido, eu adoto a ideia que Howard Becker desenvolve em &#8220;Os mundos da arte&#8221;. Trata-se de poder explicar o trabalho art\u00edstico mais do que uma est\u00e9tica da arte, porque se trata de um of\u00edcio compartilhado com profissionais de outras disciplinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Por \u00faltimo, a quem voc\u00ea indicaria a leitura do livro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Est\u00e1 direcionado a um p\u00fablico amplo. Tamb\u00e9m um p\u00fablico interessado nas ci\u00eancias sociais, na antropologia, na gest\u00e3o cultural. Eu adoraria que bailarinos, core\u00f3grafos\/as, gestores culturais pudessem l\u00ea-lo e que pud\u00e9ssemos discutir e\/ou continuar construindo juntos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Blog da EdUERJ entrevistou a antrop\u00f3loga Laura Navallo, autora do livro \u201cArmazenando utopias: dan\u00e7a, festivais e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil\u201d, dispon\u00edvel em formato digital e impresso (sob demanda). Ela comentou sobre as pol\u00edticas culturais e como elas afetam o cen\u00e1rio da dan\u00e7a contempor\u00e2nea no Brasil. A entrevista foi concedida &#8211; e traduzida &#8211; por La\u00eds Barreto. Blog da EdUERJ: O que a inspirou a investigar os festivais de dan\u00e7a e, mais especificamente, o Festival Panorama (Rio de Janeiro, 1992) e a Bienal Internacional de Dan\u00e7a do Cear\u00e1 (1997)? 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