{"id":39469,"date":"2026-08-05T14:56:53","date_gmt":"2026-08-05T17:56:53","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=39469"},"modified":"2026-08-05T14:56:57","modified_gmt":"2026-08-05T17:56:57","slug":"entrevista-com-a-autora-de-nasci-numa-viagem-no-balaio-das-estrelas-30-10-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/entrevista-com-a-autora-de-nasci-numa-viagem-no-balaio-das-estrelas-30-10-25\/","title":{"rendered":"Entrevista com a autora de \u201cNasci numa viagem, no balaio das estrelas\u201d\u00a0\u00a0(30\/10\/25)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Em&nbsp;<em>Nasci numa viagem, no balaio das estrelas<\/em>, Mar\u00eda Rossi Idarr\u00e1ga investiga as articula\u00e7\u00f5es entre g\u00eanero, etnicidade e pertencimento a partir de narrativas e perspectivas de mulheres ind\u00edgenas que habitam no Vaup\u00e9s, na Col\u00f4mbia. Em entrevista ao Blog da EdUERJ, a autora contou sobre o processo de pesquisa e compartilhou um pouco de suas experi\u00eancias no trabalho de campo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: A que remete o t\u00edtulo&nbsp;<em>Nasci numa viagem, no balaio das estrelas<\/em>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">\u00c9 uma frase de uma das principais interlocutoras da pesquisa, chamada Marcela, no livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando come\u00e7ou a me contar a hist\u00f3ria de sua vida, disse: \u201cEu nasci numa viagem, no balaio das estrelas.\u201d A frase \u00e9 linda, mas, sobretudo, est\u00e1 carregada de sentidos. Com essa imagem, ela conta tamb\u00e9m como, desde o nascimento, sua vida est\u00e1 marcada por viagens, deslocamentos e por situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o corresponderam ao esperado. Nasceu num lugar que n\u00e3o era territ\u00f3rio do seu povo, nem era adequado para nascer. Lembra novamente disso ao me contar sobre momentos da sua vida nos quais identidade n\u00e3o foi sin\u00f4nimo de pertencimento, ou para procurar explica\u00e7\u00f5es para decis\u00f5es dif\u00edceis ou momentos de tristeza e saudades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Com essa frase, ela chamou minha aten\u00e7\u00e3o para as articula\u00e7\u00f5es entre a hist\u00f3ria regional, os motivos familiares da viagem, a import\u00e2ncia cosmol\u00f3gica do territ\u00f3rio e sua transcend\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de uma pessoa e, em suma, para a articula\u00e7\u00e3o de muitas escalas entre as quais se constr\u00f3i o sentido da vida e com as quais ela interpreta e vive as emo\u00e7\u00f5es e as contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: A publica\u00e7\u00e3o se afasta dos recortes mais convencionais que costumam pesquisar povos ind\u00edgenas em tem\u00e1ticas de coloniza\u00e7\u00e3o, evangeliza\u00e7\u00e3o ou urbaniza\u00e7\u00e3o. Como surgiu o interesse em pesquisar culturas e tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas sob uma perspectiva de g\u00eanero?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando comecei a trabalhar em Mit\u00fa, em 2006, fiquei fascinada pelo multilinguismo da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Como menciono no livro, trata-se de um territ\u00f3rio que re\u00fane v\u00e1rios grupos e, nessas redes de rela\u00e7\u00f5es, encontrei que era frequente que as mulheres falassem, com propriedade, v\u00e1rias l\u00ednguas. Lembro de algumas que falavam 10, 8, 5 l\u00ednguas. Depois, lendo sobre os povos da regi\u00e3o, confirmei que isso era recorrente. Os homens tamb\u00e9m falam v\u00e1rias l\u00ednguas, mas em menor propor\u00e7\u00e3o, e costumam viver, no dia a dia, na pr\u00f3pria l\u00edngua \u2013 o que n\u00e3o era tradicionalmente o caso das mulheres, que viviam cotidianamente na l\u00edngua de seus maridos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Com o passar do tempo, ao perguntar sobre o territ\u00f3rio, as hist\u00f3rias ou saberes pr\u00f3prios, as respostas das mulheres eram: \u201cEu n\u00e3o sei sobre isso, pergunte aos homens.\u201d \u00c0s vezes ouvi literalmente: \u201cSe quiser falar sobre cultura, fale com os homens.\u201d Esse paradoxo aumentou minha curiosidade e me levou a ler etnografias sobre esses povos, encontrando um vast\u00edssimo campo de pesquisa, descrevendo rela\u00e7\u00f5es de identidade, parentesco, cosmologia e territ\u00f3rio, articuladas e complexas, mas que sempre me deixavam com perguntas sobre as mulheres nessa trama de rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Me deparei tamb\u00e9m com grupos muito estudados pela antropologia, uma produ\u00e7\u00e3o riqu\u00edssima, por\u00e9m, como era frequente na antropologia feita com povos ind\u00edgenas amaz\u00f4nicos, muito mais orientada aos lugares masculinos nas rela\u00e7\u00f5es sociais, e com poucas, e mais recentes, reflex\u00f5es sobre as mulheres e sobre as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. Por outro lado, na experi\u00eancia pr\u00e9via de trabalho e pesquisa na Amaz\u00f4nia, o car\u00e1ter masculino das fronteiras amaz\u00f4nicas me parecia altamente relevante para essas reflex\u00f5es. Contei com a imensa sorte de ter professoras que, desde outras abordagens e localiza\u00e7\u00f5es de pesquisa, compartilharam comigo v\u00e1rias reflex\u00f5es e perguntas sobre g\u00eanero \u2013 dentre elas, Adriana Vianna e Maria Elvira D\u00edaz-Benitez \u2013, e com as leituras inspiradoras de autoras como Jean E. Jackson e Christine Hugh-Jones, refletindo sobre as mulheres neste contexto cultural; al\u00e9m das conversas e trocas com colegas que tamb\u00e9m trabalham com mulheres ind\u00edgenas em contextos amaz\u00f4nicos, como Vivian Rosado C\u00e1rdenas, Diana Rosas Ria\u00f1o e Juana Valentina Nieto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: O livro mostra como tradi\u00e7\u00f5es patriarcais enraizadas estruturam muitas das rela\u00e7\u00f5es de parentesco e pertencimento. Qual \u00e9 o papel feminino na constru\u00e7\u00e3o desses aspectos, dentro das comunidades ind\u00edgenas no Vaup\u00e9s, por exemplo?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Acho que a no\u00e7\u00e3o de \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d aqui n\u00e3o \u00e9 a mais adequada, porque gera a impress\u00e3o de um modelo mais r\u00edgido do que de fato \u00e9 e desvia a aten\u00e7\u00e3o da multiplicidade de grupos, focando mais numa ideia de estrutura que seria fechada e compar\u00e1vel com outras \u201cestruturas patriarcais\u201d, quando o car\u00e1ter aberto e fluido do sistema \u00e9 central \u2013 o que implica que a dimens\u00e3o inter\u00e9tnica \u00e9 constante. Evito essa no\u00e7\u00e3o porque remete a ideias de poder, patrim\u00f4nio e autoridade, que n\u00e3o se aplicam facilmente \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais da regi\u00e3o. N\u00e3o pretendo, com isso, desconhecer que o sistema \u00e9 marcadamente masculino, mas procuro descrever como essas diferen\u00e7as de g\u00eanero s\u00e3o vividas e narradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Procurei ver as rela\u00e7\u00f5es de parentesco em v\u00e1rias escalas, que fazem refer\u00eancia a posi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de pertencimento, organiza\u00e7\u00e3o, sentidos, hierarquias e moralidades, chamando a aten\u00e7\u00e3o para rela\u00e7\u00f5es interculturais que v\u00e3o al\u00e9m desses grupos, incluindo diferentes frentes coloniais em diferentes momentos hist\u00f3ricos. Assim, \u00e9 fundamental entender g\u00eanero e etnicidade desde uma perspectiva intercultural e informada pela hist\u00f3ria, pelas rela\u00e7\u00f5es coloniais e suas v\u00e1rias formas de viol\u00eancia diferenciadas para homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O papel feminino, ent\u00e3o, \u00e9 de mobilidade e \u00e9 fronteiri\u00e7o, fazendo evidente o cosmopolitismo desses grupos. Por isso, \u00e9 desde esse lugar das mulheres que as m\u00faltiplas escalas e sentidos se fazem mais evidentes, e \u00e9 nas narrativas delas que se mostra mais recorrentemente como o pertencimento \u00e9 ag\u00eancia e precisa ser costurado de formas concretas nas diferentes escalas poss\u00edveis, em contextos pessoais e regionais de muitas mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Em um dos cap\u00edtulos voc\u00ea escreve que busca \u201cquestionar as constru\u00e7\u00f5es da etnicidade a partir dos lugares femininos\u201d. Que lugares seriam esses?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Ainda que esse tema seja central ao longo de todo o livro, trato dele com mais profundidade nos cap\u00edtulos 3 e 4. No terceiro, o foco est\u00e1 nas rela\u00e7\u00f5es de parentesco, no multilinguismo e nas formas de casamento, tanto na literatura etnogr\u00e1fica quanto em v\u00e1rias hist\u00f3rias pessoais. No quarto, procuro fazer esse questionamento considerando diferentes abordagens etnogr\u00e1ficas sobre g\u00eanero e povos ind\u00edgenas no Vaup\u00e9s e no Alto Rio Negro, detalhando a trajet\u00f3ria de Marcela, uma mulher Desana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Duas representa\u00e7\u00f5es desses lugares femininos s\u00e3o o de estrangeiras, na fam\u00edlia conjugal, e o de ausentes, na fam\u00edlia paterna. Mas as mulheres, no seu dia a dia, constroem pertencimento e acolhimento, distanciando-se dessas refer\u00eancias, nem sempre f\u00e1ceis de habitar. Em suas trajet\u00f3rias, fica mais evidente que as identidades diferenciadas tamb\u00e9m se constroem com repert\u00f3rios comuns de saberes, pr\u00e1ticas e rela\u00e7\u00f5es \u2013 e que esses repert\u00f3rios constituem ferramentas para se relacionar e se reconhecer e, como disse uma delas, para construir seu lugarzinho, seu local no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Ao inv\u00e9s de se limitar apenas ao material coletado, voc\u00ea insere relatos sobre a sua experi\u00eancia no processo de pesquisa. Na sua vis\u00e3o, trazer essa dimens\u00e3o pessoal \u00e9 importante para o trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Diria que, al\u00e9m de ser importante, \u00e9 necess\u00e1rio por v\u00e1rios motivos. Primeiro, faz parte da explicita\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de pesquisa, permitindo descri\u00e7\u00f5es mais precisas e lembrando que n\u00e3o h\u00e1 um ponto zero nem uma poss\u00edvel neutralidade a partir da qual as informa\u00e7\u00f5es reunidas e as reflex\u00f5es constru\u00eddas possam ser separadas das rela\u00e7\u00f5es concretas estabelecidas na pesquisa. Segundo, neste contexto, no qual as diferen\u00e7as de identidade e as fronteiras \u00e9tnicas s\u00e3o t\u00e3o presentes e relevantes, resultava necess\u00e1rio refletir sobre minha localiza\u00e7\u00e3o concreta nelas e sobre como, mesmo com muitas diferen\u00e7as que nos constituem, fazemos parte de rela\u00e7\u00f5es sociais historicamente compartilhadas, inclusive documentadas h\u00e1 mais de cem anos. \u00c9 sempre necess\u00e1rio lembrar o quanto compartilhamos, para poder prestar aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 nas diferen\u00e7as culturais, mas nas desigualdades de outras ordens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m me pareceu necess\u00e1rio porque transitei em escalas distintas, algumas p\u00fablicas e outras na intimidade do cotidiano, e as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o em cada caso est\u00e3o relacionadas diretamente com quem s\u00e3o as pessoas envolvidas. N\u00e3o pretendo ter reunido as hist\u00f3rias de vida completas de nenhuma delas, mas sim o que foi poss\u00edvel compartilhar entre elas e eu, em momentos de comunica\u00e7\u00e3o que constru\u00edmos juntas e que, em alguns casos, constitu\u00edram o que chamei de \u201cinterst\u00edcios vitais\u201d: momentos em que foi poss\u00edvel abrir uma pausa ou uma fenda para lembrar, narrar e compartilhar dimens\u00f5es que s\u00e3o constitutivas da vida, mas que nem sempre s\u00e3o enunciadas ou faladas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Finalmente, porque alguns dos temas tratados surgiram nas nossas intera\u00e7\u00f5es a partir da vulnerabilidade compartilhada, particularmente hist\u00f3rias relacionadas com sofrimento, medo e viol\u00eancia. Sendo t\u00e3o dependente das rela\u00e7\u00f5es e das condi\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, nosso trabalho precisa trat\u00e1-las como parte do m\u00e9todo e como condi\u00e7\u00f5es de possibilidade de cada pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Ao longo do livro voc\u00ea re\u00fane 40 entrevistas com mulheres ind\u00edgenas e mesti\u00e7as. Como foi a experi\u00eancia de se aproximar delas e registrar suas narrativas, e quais cuidados voc\u00ea teve ao inserir na pesquisa as hist\u00f3rias que elas compartilharam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">As rela\u00e7\u00f5es com elas foram estabelecidas em momentos distintos e desde v\u00e1rias posi\u00e7\u00f5es. Algumas eram conhecidas de anos atr\u00e1s, quando trabalhei como consultora na regi\u00e3o, outras fui conhecendo no per\u00edodo da pesquisa. Todas sabiam sobre mim \u2013 algumas mais que outras \u2013, e todas podiam tra\u00e7ar a rede de rela\u00e7\u00f5es entre as demais mulheres participantes e as minhas rela\u00e7\u00f5es com elas. Foram, portanto, diferentes formas de conv\u00edvio, mais ou menos pr\u00f3ximas e mais ou menos formais. Sempre nos comunicamos em espanhol, minha l\u00edngua, e muitas das nossas intera\u00e7\u00f5es foram conversas antes de serem entrevistas. Me acolheram sempre de forma generosa, mas tamb\u00e9m cr\u00edtica. Todas pediram explica\u00e7\u00f5es sobre o que eu queria fazer, como e por qu\u00ea. Perguntaram sobre como funcionam as p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es, como \u00e9 estudar no Brasil, de onde vem uma bolsa de pesquisa, como eu consegui e quem financiava meus per\u00edodos em campo. Depois de terminar o per\u00edodo em campo, fiz uma reuni\u00e3o com cada uma para apresentar o que j\u00e1 estava escrito e os planos para continuar. Nessas reuni\u00f5es, elas foram interlocutoras cr\u00edticas, que complementaram e precisaram as minhas interpreta\u00e7\u00f5es e me deram \u00e2nimo para continuar. Com algumas delas, consegui apresentar os resultados do doutorado um tempo depois de defender, e ainda devo entregar c\u00f3pias do livro para elas. Tenho muito agradecimento e admira\u00e7\u00e3o por cada uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Pode-se dizer que seu livro se constr\u00f3i tamb\u00e9m como um registro de hist\u00f3rias ao escutar e incluir a narrativa das mulheres entrevistadas. Voc\u00ea o enxerga dessa forma?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sim. A reuni\u00e3o das hist\u00f3rias vem da inten\u00e7\u00e3o de apresentar a riqueza e a complexidade das vidas e rela\u00e7\u00f5es delas, em sua cotidianidade e dentro de um conjunto altamente complexo que me fascinou desde que comecei a trabalhar na regi\u00e3o. \u00c9 uma busca por construir a reflex\u00e3o a v\u00e1rias m\u00e3os e por reconhecer e transmitir a for\u00e7a e a coragem de cada uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: H\u00e1 planos de estender esse trabalho, seja com outras pesquisas, retornando \u00e0s pesquisas de campo ou novas entrevistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Um campo de pesquisa relacionado est\u00e1 nas trajet\u00f3rias de mulheres envolvidas em participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, no lado colombiano e no lado brasileiro da fronteira, ainda por ser desenvolvido. Outro campo de reflex\u00e3o em que estou trabalhando agora, mas localizada um pouco mais ao sul, est\u00e1 nas regi\u00f5es de fronteiras na Amaz\u00f4nia. Atualmente moro e pesquiso na fronteira entre Brasil, Col\u00f4mbia e Peru, no Amazonas \u2013 Alto Solim\u00f5es e no rio I\u00e7\u00e1. Pretendo levar algumas c\u00f3pias do livro para entregar a elas, espero que em breve, e, a partir da\u00ed, veremos novos caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Para quem voc\u00ea indicaria a leitura de<em>&nbsp;Nasci numa viagem, no balaio das estrelas<\/em>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O livro pode ser visto a partir de v\u00e1rias abordagens: para pensar g\u00eanero e etnicidade, um tema cada vez mais frequente na antropologia, e para pensar sobre os povos ind\u00edgenas do Vaup\u00e9s, Alto Rio Negro, um campo j\u00e1 cl\u00e1ssico na disciplina. Serve para pensar sobre narrativas e hist\u00f3rias de vida, mem\u00f3rias compartilhadas de sofrimento, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de povos ind\u00edgenas e fronteiras amaz\u00f4nicas. Assim, recomendo-o para pesquisadores interessados nesses temas. Ao mesmo tempo, o destaque para as narrativas delas foi uma tentativa de permitir uma leitura n\u00e3o s\u00f3 acad\u00eamica, mas qualquer pessoa que tiver interesse em hist\u00f3rias de mulheres ind\u00edgenas e em dimens\u00f5es cotidianas das fronteiras amaz\u00f4nicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Entrevista por Beatriz Araujo, estagi\u00e1ria de jornalismo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em&nbsp;Nasci numa viagem, no balaio das estrelas, Mar\u00eda Rossi Idarr\u00e1ga investiga as articula\u00e7\u00f5es entre g\u00eanero, etnicidade e pertencimento a partir de narrativas e perspectivas de mulheres ind\u00edgenas que habitam no Vaup\u00e9s, na Col\u00f4mbia. Em entrevista ao Blog da EdUERJ, a autora contou sobre o processo de pesquisa e compartilhou um pouco de suas experi\u00eancias no trabalho de campo. Blog da EdUERJ: A que remete o t\u00edtulo&nbsp;Nasci numa viagem, no balaio das estrelas? \u00c9 uma frase de uma das principais interlocutoras da pesquisa, chamada Marcela, no livro. Quando come\u00e7ou a me contar a hist\u00f3ria de sua vida, disse: \u201cEu nasci numa\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":39470,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"editor_plus_post_options":"{}","editor_plus_copied_stylings":"{}","footnotes":""},"categories":[202],"tags":[438,4534,4533],"class_list":["post-39469","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-entrevista","tag-maria-rossi-idarraga-2","tag-nasci-numa-viagem-no-balaio-das-estrelas"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":5}},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39469"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39469\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39471,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39469\/revisions\/39471"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduerj.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}