{"id":39502,"date":"2026-08-06T15:50:25","date_gmt":"2026-08-06T18:50:25","guid":{"rendered":"https:\/\/eduerj.com\/br\/?p=39502"},"modified":"2026-08-06T15:50:30","modified_gmt":"2026-08-06T18:50:30","slug":"entrevista-com-o-autor-de-o-evangelho-de-homero-15-12-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduerj.com\/br\/entrevista-com-o-autor-de-o-evangelho-de-homero-15-12-25\/","title":{"rendered":"Entrevista com o autor de \u201cO evangelho de Homero\u201d (15\/12\/25)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><em>O evangelho de Homero: por uma outra hist\u00f3ria dos Estudos Cl\u00e1ssicos&nbsp;<\/em>debate o lugar da literatura de Homero na antiguidade cl\u00e1ssica e no mundo contempor\u00e2neo. A publica\u00e7\u00e3o, fruto de uma minuciosa investiga\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria dos Estudos Cl\u00e1ssico, \u00e9 um&nbsp; convite para pensar a rela\u00e7\u00e3o entre c\u00e2none liter\u00e1rio e seus valores nos aspectos da educa\u00e7\u00e3o e cultura. Em entrevista ao Blog da EdUERJ o autor Rafael Guimar\u00e3es Tavares da Silva, falou sobre tem\u00e1ticas presentes na obra e compartilhou um pouco sobre seu processo de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Como voc\u00ea analisa a proposta do livro, ao relacionar o papel de Homero nos estudos da Antiguidade com disputas e debates contempor\u00e2neos?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A ideia \u00e9 compreender temas e debates contempor\u00e2neos, como identidade, representa\u00e7\u00e3o, c\u00e2none e cancelamento, a partir de um campo de estudos \u2014 as Cl\u00e1ssicas \u2014 e uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u2014 os cl\u00e1ssicos. Nesse sentido, a escolha de Homero n\u00e3o \u00e9 gratuita: cl\u00e1ssico dos cl\u00e1ssicos, Homero tem lugar de destaque tanto na forma como a hist\u00f3ria desse campo de estudos \u00e9 contada quanto na compreens\u00e3o do sistema liter\u00e1rio e suas estruturas. A meu ver, \u00e9 preciso entender que obras antigas e tradicionais n\u00e3o s\u00e3o apenas cria\u00e7\u00f5es do passado, mas continuam engendrando novos sentidos ao longo do tempo. Poemas como a&nbsp;<em>Il\u00edada<\/em>&nbsp;e a&nbsp;<em>Odisseia<\/em>&nbsp;ensejam novas leituras em novos contextos, desde a Atenas cl\u00e1ssica at\u00e9 os EUA contempor\u00e2neos, passando por Alexandria, Roma e tantos outros momentos da hist\u00f3ria liter\u00e1ria. A produtividade do passado no presente abre-se para o futuro, e \u00e9 nessa linha que proponho abordar a poesia hom\u00e9rica e o legado cl\u00e1ssico de modo geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: O que o motivou a escrever sobre esse tema? E como surgiu a ideia?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Comecei a estudar esse tema devido a uma inquieta\u00e7\u00e3o com a falta de prest\u00edgio dos cl\u00e1ssicos na educa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. A hist\u00f3ria do ensino no Brasil, entendido aqui como um estado moderno \u201cocidental\u201d (de matriz europeia), tem no cultivo do latim e da cultura romana um de seus pilares. Basta ler autores como Greg\u00f3rio de Matos, Ant\u00f4nio Vieira e qualquer um dos \u00e1rcades para se perceber a centralidade do cl\u00e1ssico romano na cultura brasileira mais recuada. Isso \u00e9 v\u00e1lido n\u00e3o apenas para o per\u00edodo colonial, mas tamb\u00e9m para muito do que se d\u00e1 ap\u00f3s a Independ\u00eancia: com o conhecimento cada vez mais disseminado da cultura hel\u00eanica, autores brasileiros dos s\u00e9culos XIX e XX, como Jos\u00e9 de Alencar, Machado de Assis, Clarice Lispector e Guimar\u00e3es Rosa encontram nos cl\u00e1ssicos greco-romanos um di\u00e1logo produtivo para a cria\u00e7\u00e3o de suas obras. Isso foi poss\u00edvel devido \u00e0 centralidade que tinha na educa\u00e7\u00e3o brasileira a l\u00edngua e a literatura latinas, assim como \u2014 em menor medida \u2014 tamb\u00e9m a l\u00edngua e a literatura gregas. O Novo Testamento, tanto em sua l\u00edngua original quanto na tradu\u00e7\u00e3o de Jer\u00f4nimo para o latim, tamb\u00e9m desfruta de um prest\u00edgio que explica o cultivo dessas l\u00ednguas e suas literaturas por parte dos respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds majoritariamente crist\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">De uns tempos para c\u00e1, contudo, essa situa\u00e7\u00e3o se altera: com as reformas educacionais da d\u00e9cada de 1960, durante o per\u00edodo da ditadura c\u00edvico-militar, o latim deixa de ser obrigat\u00f3rio nos curr\u00edculos escolares; na d\u00e9cada de 1990, sob o impacto do neoliberalismo, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) retira a obrigatoriedade do latim nos cursos de Letras. Essas mudan\u00e7as s\u00e3o sintomas tamb\u00e9m de mudan\u00e7as socioculturais mais amplas e profundas. Interessei-me&nbsp; pelo tema, mas n\u00e3o de uma perspectiva saudosista ou conservadora: quando comecei a ler sobre isso, vindo a descobrir o subg\u00eanero dedicado \u00e0 \u201chist\u00f3ria dos Estudos Cl\u00e1ssicos\u201d, eu queria entender uma forma de reagir \u00e0quilo que se revelava para mim uma \u201ccrise\u201d. O que descobri me permitiu compreender a situa\u00e7\u00e3o de forma mais complexa, tanto no que diz respeito a uma problematiza\u00e7\u00e3o do legado cl\u00e1ssico ao longo da hist\u00f3ria, quanto nas especificidades dos debates culturais contempor\u00e2neos. Dessas reflex\u00f5es entendi dois pontos importantes, apesar de potencialmente paradoxais: os cl\u00e1ssicos sempre estiveram em crise; o Brasil nunca viveu um momento t\u00e3o pulsante em seu di\u00e1logo produtivo com os cl\u00e1ssicos. Com isso, n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o haja espa\u00e7o para avan\u00e7os, apenas que analisar uma dada situa\u00e7\u00e3o de forma complexa nos permite evitar posi\u00e7\u00f5es ing\u00eanuas. \u00c9 poss\u00edvel tornar os cl\u00e1ssicos cada vez mais significativos nos dias de hoje, mas para isso precisamos nos abrir \u00e0s potencialidades do ensino, da pesquisa e da extens\u00e3o (em termos universit\u00e1rios), sem descurar da produ\u00e7\u00e3o cultural mais ampla, por meio de literatura, m\u00fasica, teatro, cinema e s\u00e9ries. Nesse sentido, os aportes da recep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica \u2014 ramo da est\u00e9tica da recep\u00e7\u00e3o com aplica\u00e7\u00e3o ao campo dos Estudos Cl\u00e1ssicos \u2014 tem um potencial infind\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Como foi o processo de pesquisa para este livro? Houve algum aspecto ou descoberta que o tenha chamado particularmente a aten\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A pesquisa se deu no \u00e2mbito de um projeto de doutorado que executei na UFMG, sob orienta\u00e7\u00e3o dos Profs. Teodoro Renn\u00f3 Assun\u00e7\u00e3o (UFMG) e Nabil Ara\u00fajo (UERJ). Muitas descobertas realizadas durante as leituras para a escrita dessa tese de doutorado me impressionaram: em primeiro lugar, a import\u00e2ncia do contexto hist\u00f3rico que se chama de&nbsp;<em>culture wars<\/em>&nbsp;na conforma\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios debates contempor\u00e2neos (pol\u00edticos, educacionais, socioecon\u00f4micos etc.); a exist\u00eancia de um subg\u00eanero erudito dedicado a estudar a hist\u00f3ria dos Estudos Cl\u00e1ssicos; a centralidade de Homero tanto na historiografia dessa \u00e1rea quanto na compreens\u00e3o do sistema liter\u00e1rio \u201cocidental\u201d; a exist\u00eancia de fatores ideol\u00f3gicos por tr\u00e1s da institucionaliza\u00e7\u00e3o de disciplinas modernas, como a Ci\u00eancia da Antiguidade, os Estudos Liter\u00e1rios etc. A forma como essas quest\u00f5es aparecem profundamente conectadas para quem queira refletir hoje sobre cl\u00e1ssicos (o c\u00e2none) e Cl\u00e1ssicas (o campo de estudos) tamb\u00e9m se revela uma descoberta desta pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Como voc\u00ea v\u00ea a relev\u00e2ncia da literatura hom\u00e9rica nos dias de hoje? Voc\u00ea considera um autor que ainda merece ser lido?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A relev\u00e2ncia de Homero nos dias de hoje tem rela\u00e7\u00e3o com sua centralidade para a hist\u00f3ria da literatura e da cultura no \u201cocidente\u201d como um todo. Digo \u201cocidente\u201d entre aspas porque essa no\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser inequ\u00edvoca e constante, mas \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica atravessada por tens\u00f5es e ambiguidades. Em todo o caso, para um pa\u00eds como o Brasil, de coloniza\u00e7\u00e3o europeia, a relev\u00e2ncia de Homero tem rela\u00e7\u00e3o com a posi\u00e7\u00e3o que suas obras ocupam na institucionaliza\u00e7\u00e3o moderna da literatura brasileira, em suas rela\u00e7\u00f5es com a portuguesa e a europeia de modo geral, fazendo parte disso n\u00e3o apenas os elementos est\u00e9ticos, \u00e9ticos e epistemol\u00f3gicos do referencial cultural hel\u00eanico, mas tamb\u00e9m as implica\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, morais e sociopol\u00edticas de sua implementa\u00e7\u00e3o num contexto de domina\u00e7\u00e3o colonizadora. Nesse sentido, h\u00e1 muitos aspectos incr\u00edveis desses poemas antigos que merecem ser estudados com aten\u00e7\u00e3o nos dias de hoje, capazes de deslocar nossas convic\u00e7\u00f5es modernas e indicar meios alternativos de compreens\u00e3o da realidade. Por outro lado, \u00e9 preciso certo senso cr\u00edtico na abordagem desse material, para se evitar uma idealiza\u00e7\u00e3o simplificadora, respons\u00e1vel por retroprojetar na obra antiga categorias anacr\u00f4nicas. O que meu livro se prop\u00f5e a fazer \u00e9 contar a hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o que faz com que Homero seja Homero e os cl\u00e1ssicos, cl\u00e1ssicos. Trata-se, portanto, de desnaturalizar a ideia de valor em si (est\u00e9tico, liter\u00e1rio, filos\u00f3fico, cultural), a fim de inserir a cultura na hist\u00f3ria, com suas disputas pol\u00edticas, seus interesses etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: O livro menciona o \u201cpretenso cancelamento\u201d de Homero e movimentos como o&nbsp;<em>#DisruptTexts.<\/em>&nbsp;Debates como esse s\u00e3o recentes, ou sempre existiram e o contexto das m\u00eddias sociais permitiu uma visibilidade\/ascens\u00e3o deles?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">De certa forma, o cancelamento como estrat\u00e9gia de (n\u00e3o) leitura de textos e autores sempre existiu. Isso explica porque obras antigas de valor art\u00edstico inquestion\u00e1vel n\u00e3o foram transmitidas de forma integral at\u00e9 os dias de hoje, como s\u00e3o os casos de Arqu\u00edloco e Safo, por exemplo. A particularidade de campanhas como&nbsp;<em>#DisruptTexts<\/em>&nbsp;e outras estrat\u00e9gias contempor\u00e2neas \u00e9 que elas mobilizam grandes massas reunidas em torno de uma agenda pol\u00edtica explicitamente colocada contra refer\u00eancias can\u00f4nicas. Nesse sentido, as m\u00eddias sociais funcionam como caixas de resson\u00e2ncia que amplificam debates liter\u00e1rios, culturais e educacionais at\u00e9 ent\u00e3o restritos a poucos. Isso democratiza a discuss\u00e3o, por um lado, enquanto traz o risco de simplifica\u00e7\u00f5es. A ignor\u00e2ncia quanto a certos pressupostos importantes para as \u00e1reas envolvidas nesses debates pode levar a posicionamentos fr\u00e1geis, quando n\u00e3o contradit\u00f3rios, por parte de pessoas sem qualquer forma\u00e7\u00e3o para abordar esses problemas. Ainda assim, cumpre notar que esse tipo de risco potencialmente sempre existiu, ainda que hoje seja mais amplo e disseminado. A cultura n\u00e3o \u00e9 um para\u00edso calmo e tranquilo, mas uma arena de disputas, embates e negocia\u00e7\u00f5es. A forma como pensadores antigos do calibre de um Her\u00e1clito, um Xen\u00f3fanes e mesmo um Plat\u00e3o se posicionaram contra Homero indica que sempre existiram aqueles dispostos a \u201ccancelar\u201d um autor por motiva\u00e7\u00f5es morais, est\u00e9ticas, epistemol\u00f3gicas e\/ou pol\u00edticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Na sua vis\u00e3o, que papel as universidades e os curr\u00edculos t\u00eam nesse debate sobre preserva\u00e7\u00e3o, reformula\u00e7\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o do c\u00e2none?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O papel das universidades \u00e9 enorme. Principalmente enquanto centros formadores de professores, as universidades determinam os conte\u00fados e metodologias a serem adotados nas escolas de ensino fundamental e m\u00e9dio. Al\u00e9m disso, atualmente as universidades colaboram na forma\u00e7\u00e3o de muitos autores, jornalistas e intelectuais p\u00fablicos, encarregando-se de refletir sobre quest\u00f5es candentes para a contemporaneidade, como representa\u00e7\u00e3o, identidade, reconhecimento, direitos sociais etc. Nesse sentido, as refer\u00eancias culturais \u2014 can\u00f4nicas ou n\u00e3o \u2014 devem ser discutidas, a partir das estruturas que implicam em sua sele\u00e7\u00e3o e\/ou sua exclus\u00e3o, por parte dos pesquisadores e professores universit\u00e1rios, especialmente das \u00e1reas de Letras, Filosofia, Hist\u00f3ria, Educa\u00e7\u00e3o e outras afins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Blog da EdUERJ: Que leitores voc\u00ea espera alcan\u00e7ar com essa publica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O p\u00fablico que tenho em mente com essa obra \u00e9 formado por pessoas interessadas em discuss\u00f5es culturais, especialmente as de vi\u00e9s liter\u00e1rio, a partir de di\u00e1logos com a antiguidade greco-romana, ainda que n\u00e3o numa chave de rever\u00eancia irrefletida. A proposta traz aportes para debates sobre Literatura, entre teoria e hist\u00f3ria da cr\u00edtica (por isso, inclusive, sua inclus\u00e3o na cole\u00e7\u00e3o \u201cUniversos da cr\u00edtica\u201d, da EdUERJ). Em vista da abrang\u00eancia de assuntos tratados, a obra deve interessar, portanto, de forma mais ampla a estudiosos e curiosos das \u00e1reas de Cl\u00e1ssicas, Letras, Hist\u00f3ria, Filosofia e Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Entrevista por Beatriz Araujo, estagi\u00e1ria de jornalismo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O evangelho de Homero: por uma outra hist\u00f3ria dos Estudos Cl\u00e1ssicos&nbsp;debate o lugar da literatura de Homero na antiguidade cl\u00e1ssica e no mundo contempor\u00e2neo. 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