Evento “Literatura, cultura e consumo: o valor da letra”, com entrada franca

A professora Clarisse Fukelman, organizadora do livro Eu assino embaixo: biografia, memória e cultura, editado pela EdUERJ, realizará, de 23 a 26 de fevereiro, o evento Literatura, Cultura e Consumo: o Valor da Letra, no qual autores premiados, editores, produtores culturais e críticos debaterão caminhos para uma maior circulação da literatura no Brasil, discutindo sua função social e existencial. Entre os convidados, encontram-se os professores do Instituto de Letras da UERJ Ana Claudia Viegas, João Cezar de Castro Rocha (organizador de Múltiplo Machado: I Colóquio Casa Dirce, também editado pela EdUERJ) e Giovanna Dealtry.

A curadora Clarisse Fukelman, também produtora do projeto, aponta “a necessidade de uma política cultural que priorize a reflexão sobre a literatura e sua reintegração aos hábitos familiares e sociais em geral.  Apropriações da literatura por outras formas artísticas são um canal para motivar a leitura. Mas não é determinante da criação de um interesse pela literatura em si.”. Foi o que a levou a iniciar o ano colocando o dedo num ponto crucial da educação brasileira. Junto com Claudia Chigres, que compartilha com ela a curadoria, afirma: “É urgente discutir como, por que e quando se lê literatura, sem se render a explicações simplistas ou acomodadas”.

Instituições públicas dispõem de aparelhos de apoio à leitura, como bibliotecas e salas de leitura, deficientes. Feiras de livros ganharam espaço na mídia, mas não há uma ação contínua de leitores de literatura. Quanto aos jovens, que narrativas têm estimulado leitores de ficção e de poesia? Como a escola tem preparado os alunos para a diversidade de registros linguísticos? Qual o papel da crítica literária? Tudo isso será revirado ao avesso e esperam-se debates calorosos.

Confira a programação completa do evento:

Em quatro encontros, abordagens provocativas sobre a difusão da literatura, debatendo: processo de criação e recepção; modos de conservação e disseminação da leitura; modelos de biblioteca pública; patrimônio literário nacional; mercado editorial; ações pela internet; eventos; formas de consumo e tipos de interesse de jovens gerações; espaço da crítica.

 23/02, às 18h30min – Mesa Literatura e Imaginário, com Alberto Mussa e Marco Lucchesi.

A palavra que voa: literatura e imaginário. O imaginário é essencial à criação artística, que se movimenta, em diferentes níveis, entre o racional e o sensível; o individual e o coletivo; o passado, o presente e o futuro. Na literatura, o imaginário estabelece, com a palavra, transgressões de linguagem, subversões, invenções, reconfigurando a realidade e conectando-se a outras artes e experiências de vida.

Alberto Mussa é escritor, com proposta de fundir a tradição narrativa ocidental com relatos mitológicos de culturas afro-brasileira, arábica pré-islâmica e indígena. Obras publicadas em 17 países e 14 idiomas.  Prêmios nacionais e internacionais.

Marco Lucchesi é poeta, escritor, ensaísta e tradutor. Membro da Academia Brasileira de Letras e da Accademia Lucchese delle Scienze, Lettere e Arti. Professor de Literatura Comparada da UFRJ e de universidades da Ásia, Europa e América Latina. Prêmios: Alceu Amoroso Lima, pelo conjunto da obra poética (2008), Marin Sorescu, na Romênia e Ministero dei Beni Culturali da Itália. Obteve três vezes o Jabuti.

 24/02, às 18h30min – Mesa Literatura e Crítica, com João Cézar de Castro Rocha e Manya Millen.

Palavra sobre palavra: crítica e literatura. A crítica se debate entre o declínio de suplementos literários impressos e cadernos especializados, de um lado, e os espaços de circulação eletrônicos. Quem legitima a crítica? De que forma a universidade se divide entre demandas do mercado e a autonomia do pensamento acadêmico? Que obstáculos há, hoje, na interlocução entre crítica e público leitor?

João Cesar de Castro Rocha é doutor em Letras pela UERJ e pela Stanford University. Assessor ad hoc da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Autor, entre outros, de Literatura e cordialidade: o público e o privado na cultura brasileira (1998), Exercícios críticos (2008) e Por uma esquizofrenia produtiva (2015) e organizador de Múltiplo Machado: I Colóquio Casa Dirce (2015).

Manya Millen é jornalista e crítica, formada pela Faculdade de Comunicação e Turismo Hélio Alonso, especialista em Jornalismo Cultural. Foi repórter do Jornal O Globo, cobrindo artes plásticas, teatro e dança, fazendo crítica de teatro infantojuvenil, tendo sido jurada de diversos prêmios de teatro, categoria infantil. Foi editora do suplemento Prosa & Verso, de O Globo (2004-2015).

 25/02, às 18h30min – Mesa Memória e Patrimônio, com Antonio Carlos Secchin e Elisa Campos Machado

Modos de preservação e circulação da literatura. Há diversas formas de pensar o patrimônio e atuar em relação a ele. Por certo, não há como desvincular leitura e patrimônio literário e ambos de condições para o acesso ao livro. Entre prédios em ruínas e novas tecnologias, cobra-se do poder público clareza sobre política do livro e de difusão da literatura, a nível nacional e internacional. Enfatizamos questões relacionadas a criação e manutenção da bibliotecas, iniciativas individuais de conservação, colecionismo e valorização da literatura como patrimônio.

Antonio Carlos Secchin é mestre e doutor em Letras pela UFRJ, membro efetivo da Academia Brasileira de Letras e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Poeta com diversos prêmios importantes.

Elisa Campos Machado é coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e da FBN. Foi diretora do Departamento de Bibliotecas Públicas da cidade de São Paulo. Professora na Escola de Biblioteconomia da UNIRIO.

 26/02, às 18h30min – Mesa redonda  Novas Mediações: Internet, Pequenas Editoras e Modelos de Feira Literária, com Alexandre Faria, Ana Claudia Viegas e Júlio Ludemir.

Mediadores: editoras e autônomos na internet – mesa redonda.

Apesar da democratização virtual de expressões literárias, falta definição sobre a circulação de obras, evitando a tentativa de simplificar ou censurar clássicos e equilibrando forças entre megaeditoras e pequenos selos, na escolha do que lançar e do que traduzir. Na área cultural, ciclos de debate e festivais se firmam como canais alternativos para tais discussões.

Alexandre Faria é professor da Faculdade de Letras da UFJF, pesquisador de Literatura, Identidade e Outras Manifestações Culturais, doutor em Letras,  escritor e editor da TextoTerritório.

Ana Claudia Viegas é mestre em Letras pela PUC-RJ (1991) e doutora em Antropologia Social pela UFRJ. Professora associada do Instituto de Letras da UERJ.

Júlio Ludemir é jornalista, escritor, produtor cultural e tradutor. Criou em 2012 a Flupp (Festa Literária das Periferias).

Mediadores:

Bethânia Mariani, doutora em Linguística pela UNICAMP, com pós-doutorado na Stanford University, USA. Lecionou na PUC-RJ e é docente da UFF, sendo chefe do Departamento de Ciências da Linguagem.

Giovanna Dealtry, professora do Instituto de Letras da UERJ, doutora em Estudos Literários pela PUC-RJ. Autora de O futuro pelo retrovisor: inquietudes da literatura brasileira contemporânea, No fio da navalha: malandragem na literatura e no samba, entre outros.

Claudia Chigres, mestre em História Social da Cultura e doutora em Literatura Portuguesa pela PUC-RJ. Atualmente, é professora do Departamento de Letras da PUC-RJ e do curso de especialização em Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo. Autora de Como se (ficção).

Clarisse Fukelman, doutora em Literatura Brasileira pela UFRJ, professora no Departamento de Comunicação Social da PUC-RJ, idealizadora da pós-graduação Leitura, Teoria e Prática (PUC-RJ). Curadora de diversos eventos sobre literatura e sobre temas contemporâneos. Pesquisadora para projetos educativos. Organizou os livros Passeios na Zona Norte, Conto em quatro tempos e Eu assino embaixo: biografia, memória e cultura.

Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro –  Sala de Cinema

Endereço: Avenida Almirante Barroso 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)

Telefone: (21) 3980-3815

Capacidade: 80 pessoas

Entrada franca

Classificação etária: livre

Projeto: Veredas Promoções Culturais

Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

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