Hoje acordei pra luta: entrevista com Phellipe Marcel

O livro “Hoje acordei pra luta – Intelectuais pela universidade pública” é um destaques da EdUERJ em 2017. Organizado por Phellipe Marcel, Iuri Pavan e Mauro Siqueira, a obra traz depoimentos, artigos e pontos de vista de pessoas que se propõem a uma reflexão mais profunda sobre uma crise que afeta não só a UERJ, mas toda a educação pública. O Blog da EdUERJ enviou as perguntas ao trio de organizadores. As respostas são do professor de Letras Phellipe Marcel, em nome do grupo.
1. Como surgiu a ideia da produção de “Hoje acordei pra luta“? Vi nas redes socais de vocês que essa ideia veio de um grupo de WhatsApp. Podem explicar isso?
Bem, nós temos um grupo de WhatsApp para pensar projetos comuns. Sendo um aluno, um técnico e um professor, sempre estamos tentando levar em frente ideias que congreguem essas três categorias, com bastante paridade e parceria. Depois dos ataques midiáticos sofridos pelo ensino superior público, decidimos que era hora de usar o objeto livro como arma em defesa das universidades públicas.
 
2. Qual foi o critério de vocês para a escolha dos autores?
Queríamos incorporar, dentro do que consideramos correto, o maior número possível de opiniões plurais sobre a UERJ. A partir daí, fomos pensando em áreas do conhecimento que poderiam contribuir, em intelectuais internos e externos à universidade que estariam dispostos a escrever breve e agilmente sobre o caos que está sendo vivido não só na UERJ, mas também em outras universidades públicas. Pensamos em diversos nomes de linguística, letras e artes (inevitavelmente, por ser nossa área de formação e atuação), mas também em bastante gente de outros domínios. Também conversamos com amigos de outros campos que pudessem nos sugerir autores interessantes. Daí, conseguimos chegar a esse rico mix que é encontrado no Hoje acordei pra luta.
 
3. Em que momento ficou decidido que o livro não seria somente sobre a situação da UERJ, mas sobre a educação do país?
No momento em que vimos que era impossível fugir do contexto nacional (internacional?) e em que notamos que o que está sendo feito com a UERJ é apenas ponta de lança de um projeto maior. Se conseguirem destruir a reputação (ou mesmo as estruturas materiais e simbólicas) da quinta melhor universidade do Brasil, qual será o próximo passo? Como temos repetido, somos uma mera metonímia.
 
4. Como vocês fizeram para manter a unidade do livro, uma vez que alguns autores enfocam a UERJ, enquanto outros abordam a questão do ensino público?
Cada convite a cada autor foi individual, personalizado, baseado no que esperávamos que eles escrevessem. Evidentemente, todos eles deram um tom muito particular aos seus textos, mas, de modo geral, o que recebemos atendeu bastante à linha que esperávamos costurar. Ao final, com os textos todos diante de nós, construímos um sumário que partiu do geral (o que é universidade) ao específico (com um informativo posfácio da vice-reitora da UERJ, professora Georgina Muniz) e também do afetivo-emocional ao teórico. A costura não foi fácil, admitimos, mas acreditamos que rendeu um tecido muito bonito.
 
5. Qual foi o maior desafio na produção deste livro?
É até difícil eleger uma etapa. Estamos completamente precarizados. Infraestrutura básica de produção, falta de salário, falta de verba para contratação de tradutores, revisores, diagramadores, capistas etc. Falta de tempo diante da necessidade de realizar outros trabalhos para a universidade. Um certo desânimo eventual, por não mais acreditarmos que o projeto poderia dar certo, já que, independentemente das críticas ao governo do estado do RJ (com sua corrupção estridente, com seu entreguismo diário, com suas isenções fiscais ensurdecedoras), ele não desiste de nos destruir. O maior desafio é mesmo ser governado pelo PMDB.
 
6. Por que lançar o livro em e-book? Há previsão de versão impressa?
Porque queremos atingir o maior número possível de lares, telas, mentes e corações. Estamos trabalhando para que haja uma versão impressa, mas por enquanto ainda não há previsão, pois não temos dinheiro.
 
7. Que tipo de repercussão vocês esperam?
A repercussão de um livro nem sempre é imediata, mas um produto assim às vezes é uma arma que vai atuando em conjunto com outros discursos. No entanto, de imediato, esperamos registrar o momento vivido pelas universidades brasileiras numa obra em que tenhamos diversos olhos observantes e bocas expressivas do estado de arte dessa crise provocada pela não priorização do ensino superior público. Esperamos também que o livro sirva de munição argumentativa, ou seja, que seus textos, quando necessários, possam ser sacados para combater posições privatistas.
 
8. Por que as pessoas devem baixar “Hoje acordei pra luta”?
Primeiramente, porque ele é gratuito, e todos estamos sujeitos, nas atuais circunstâncias, a ficarmos com salários atrasados, aposentadorias ameaçadas, bolsas desaparecidas. Então não há muito dinheiro para a luta. Em segundo lugar, porque é um livro necessário para, como dissemos anteriormente, estarmos municiados contra argumentos falaciosos do tipo “é melhor os alunos mais ricos pagarem mensalidades”, “por que não se atrai mais capital privado pra universidade?”, “contribuição de ex-alunos poderia salvar a UERJ”. O ataque às instituições tem sido diário, então o esforço também precisa ser.
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Agradecemos a entrevista! Se você que está lendo ainda não conhece este livro, é só entrar na página e fazer o download, pelo link abaixo.

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