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Uma leitura para pensar novas perspectivas sobre o carnaval brasileiro

Muito antes do carnaval assumir a forma que conhecemos hoje, práticas festivas já eram tradição no Brasil. Entre elas, destaca-se o entrudo, festejo trazido pelos colonizadores portugueses no século XV, um costume que foi precursor do que hoje conhecemos como carnaval brasileiro.

O entrudo era um período de brincadeiras que ocupava as ruas das grandes cidades e em que projéteis de diferentes naturezas eram lançados – de polvilho e alvaiade em pó à água da sarjeta e excrementos, esses fornecidos pelos escravos tigres que trabalhavam transportando os dejetos das casas coloniais.

Ao longo dos séculos, essa manifestação, vista como “selvagem e imoral” pelas elites, passou a sofrer repressões. Outros tipos de celebrações, consideradas “mais civilizadas” e controladas, foram incentivadas pelas classes mais altas da sociedade. Surgem então os bailes de máscaras, influenciados pela cultura europeia, e depois, as primeiras sociedades carnavalescas – responsáveis pelos primeiros desfiles com carros alegóricos e fantasias. As manifestações populares passaram a ser consideradas como um “não carnaval”, enquanto o modelo organizado e elitizado se consolida como a forma legítima de festejar.

Partindo desses conhecimentos, pode-se pensar o que o carnaval, para além da festa, pode revelar sobre a sociedade e seu espaço urbano. A questão do entrudo é abordada na pesquisa de Dimitri Scarinci, “Territorialização do espaço da cidade pelas práticas carnavalescas em meados do século XIX”. Nela, o autor investiga questões sociais, econômicas e políticas em evidência durante as festividades populares no espaço urbano do Rio de Janeiro. E aponta que “por meio das celebrações e brincadeiras, o simples fato de vestir uma fantasia transmite ou atirar um limão de cheiro à cidade um processo de humanização.” O texto é capítulo 4 do livro “Abordagens geográficas no âmbito do Programa de Educação Tutorial”, organizado por Marta Foeppel Ribeiro

“Abordagens geográficas no âmbito do Programa de Educação Tutorial” integra uma iniciativa do PET, programa mantido pelo Ministério da Educação e organizado a partir dos cursos de graduação das instituições de ensino superior do país. O livro apresenta resultados de pesquisas desenvolvidas pelos grupos PET-Geografia e PET-Serviço Social da UERJ.

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